Dossier: Incontinência Urinária
A estimulação eléctrica, tal como os métodos anteriores, tem como finalidade a reeducação muscular do períneo. Nos anteriores os estímulos que provocam as contracções musculares que levam ao aumento de tonicidade são voluntários; neste, os estímulos são eléctricos e provocados por uma sonda vaginal que desencadeia contracções musculares ao nível do esfíncter externo da uretra, do esfíncter anal e do levantador do ânus, aumentando a sua tonicidade e induzindo uma inibição reflexa do detrusor. A sua utilização é justificada quando existe grande atonia da musculatura pélvica e os estímulos voluntários, só por si, não são suficientes para a alterar.
Para que se entenda a terapêutica medicamentosa é necessário ter presente a inervação do detrusor e da uretra. O detrusor tem em toda a sua superfície receptores muscarínicos e recebe fibras eferentes parassimpáticas, com origem em S2-S4 (nervo pélvico), cujo neurotransmissor é acetilcolina; a estimulação destes receptores causa a sua contracção. Além disso existem também receptores beta adrenérgicos, situados sobretudo a nível da cúpula vesical, que recebem fibras eferentes simpáticas com origem em D10-L2 (nervo hipogástrico), cujo neurotransmissor é a noradrenalina e cuja estimulação provoca o relaxamento do detrusor.
Na uretra consideramos a existência de um esfíncter interno e um externo. O interno é enervado por fibras eferentes simpáticas que terminam em receptores alfa, cujo neurotransmissor é noradrenalina e cuja estimulação causa a sua contracção e encerramento. O externo é enervado por fibras do nervo pudendo, com origem em S2-S4, cuja estimulação causa a sua contracção e encerramento
Esta inervação leva a que haja uma diferença significativa entre a terapêutica farmacológica para a incontinência de esforço e para a causada por hiperactividade. No primeiro caso o que se pretende é o aumento da pressão de encerramento da uretra, o que se consegue através de alfa-adrenérgicos como, por exemplo sulfato de efedrina, imipramina, fenilpropanolamina e pseudoefedrina. No segundo o pretendido é o relaxamento do detrusor que se atinge com anti-colinérgicos ou anti-espasmódicos como, por exemplo
flavoxato, oxibutinina, tolterodina, trospium, imipramina ou bloqueadores dos canais de cálcio. Há, todavia, que ter em atenção que pode ser necessária alguma adaptação na dosagem a utilizar nos doentes mais idosos, assim como a existência de algumas contra-indicações, como, por exemplo, o glaucoma de ângulo fechado para os anti-colinérgicos. Estes medicamentos podem também ter alguns efeitos secundários desagradáveis, como a secura bucal que, em alguns casos, pode levar ao abandono da terapêutica.
» B – Incontinência urinária ao esforço
A terapêutica da incontinência de esforço nos idosos deve iniciar-se pela reeducação pélvica para fortalecimento da musculatura dessa área. Os exercícios de Kegel, já descritos anteriormente, são o primeiro passo pois são fáceis de executar, mesmo em alguns doentes com dificuldade de mobilização, e conseguem resultados aceitáveis; em seguida, na falência destes, pode ser tentado a técnica de “biofeedback” ou de estimulação eléctrica.
A terapêutica farmacológica, nesta situação, baseia-se no aumento da pressão de encerramento da uretra, o que se consegue com agonistas alfa-adrenérgicos como, por exemplo a fenilpropanolamina e a pseudoefedrina; contudo estes medicamentos devem ser utilizados com muito cuidado por causa dos efeitos que podem ter, nomeadamente no aumento da tensão arterial e da insuficiência coronária e disritmias.

