Dossier: Incontinência Urinária
Estudos recentes apontam para um paralelismo entre a idade e a diminuição da densidade de células musculares lisas na uretra, devido à sua morte, e sua substituição por adipócitos e células do tecido conjuntivo; quando o volume das células substituídas chega a um determinado volume, o esfíncter já não é capaz de actuar devidamente e dá-se a incontinência.
Para além destes factores existem, sobretudo nas mulheres, problemas estático-dinâmicos do pavimento pélvico que, tendo vários factores predisponentes, se agravam após a menopausa e à medida que a idade avança, e que podem gerar incontinência, nomeadamente de esforço.
Outras causas, ligadas à produção de urina, também se modificam com a idade, nomeadamente o seu ritmo circadiano que tem tendência a inverter-se por alteração da hormona anti-diurética ou do sistema renina aldosterona, e que levam a noctúria
Há ainda doenças que, juntamente com as alterações descritas anteriormente, também podem contribuir para a incontinência por alterações neurológicas como, por exemplo, a diabetes mellitus, hérnias discais, doença de Parkinson, acidentes vasculares cerebrais ou doença de Alzheimer.
Nenhuma destas alterações descritas e que podem surgir com a idade são, só por si, causa de incontinência mas predispõem para tal. Esta predisposição, aliada a estados patológicos que são vulgares nos idosos, aumenta a possibilidade de incontinência. Isto significa que há casos em que, ao ser tratada a patologia de base, pode ser corrigida a incontinência.
As causas da incontinência urinária podem ser múltiplas e, como já descrito, podem ter ou não, origem no aparelho urinário. Podem ser urológicas, ginecológicas, neurológicas, psicológicas, hormonais, ambientais ou iatrogénicas.
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Classificação
Classifica-se a incontinência urinária dos idosos em dois tipos: transitória e crónica.
» Incontinência transitória
Este tipo de incontinência é causado por causas reversíveis que, na população idosa, se situam, de um modo geral, fora do aparelho urinário; todavia há dois pontos que merecem destaque.
O primeiro é que o risco de incontinência aumenta se, além das modificações fisiológicas que acompanham o envelhecimento, se juntam alterações patológicas. Como exemplo pode citar-se o caso de doentes que têm uma fraca actividade do detrusor e a quem é receitado um anticolinérgico; como resultado podem desenvolver um quadro de retenção urinária crónica com incontinência por regurgitação. Outro exemplo serão os doentes que têm dificuldade na mobilização ou imperiosidade miccional e aos quais é administrado um diurético.
O segundo ponto é que este tipo de incontinência, embora chamada transitória, pode tornar-se definitiva, se não for tratada.
Existe, na língua anglo-saxónica, uma mnemónica, “DIAPPERS”, para descrever as causas da incontinência transitória e cujo significado, em português, é fraldas. Cada letra é a inicial de uma possível causa:
D – Delirium (Delírio)
I – Infection (Infecção)
A – Atrophic urethritis/vaginitis (Vaginite ou uretrite atrófica)
P – Pharmacologic (Farmacológica)
P – Psychologic (Psicológica)
E – Excess urine output (Excesso de produção de urina)
R – Restricted mobility (Mobilidade restringida)
S – Stool impactation (Fecalomas)

