Dossier: Incontinência Urinária - Página 10 de 12 - Médicos de Portugal

A carregar...

Dossier: Incontinência Urinária

8 Dezembro, 2011 0

Existe ainda um outro tipo de terapêutica farmacológica, utilizada nas mulheres pós-menopáusicas que tem efeito na mucosa uretral quando, por deficiência estrogénica esta está atrofiada conjuntamente com a mucosa vaginal. Esta atrofia causa alterações na coaptação da mucosa uretral que dificulta o seu encerramento. A terapêutica será feita com estrogénios locais, vaginais ou sistémicos como, por exemplo, estradiol ou estriol, tendo o cuidado saber se não existe contra indicação clínica para esta terapêutica, como, por exemplo, neoplasia da mama ou do útero.

Por último temos a terapêutica cirúrgica, na qual podem ser usadas várias técnicas conforme a causa da incontinência seja hipermobilidade da uretra ou deficiência intrínseca do esfíncter; no primeiro caso a técnica preferida actualmente, preterindo várias técnicas de suspensão, é a de suporte da uretra com uma faixa de “Prolene”, a que se dá o nome de “TVT-Tension-free Vaginal Tape”, que é introduzida sob sedação combinada com anestesia local; este tipo de intervenção tem um sucesso que varia entre os 75% e 85%. Na deficiência intrínseca do esfíncter esta técnica também é usada mas a preferência recai noutra, cujo nome genérico é “sling” e que consiste na suspensão da uretra com uma tira de fascia que também a vai comprimir e permitir a continência, conseguindo um êxito em cerca de 85% dos doentes. No segundo caso também é possível injectar produtos à volta da uretra, a fim de diminuir o seu calibre e provocar algum grau de obstrução.

 

» C – Incontinência por regurgitação

O tratamento da incontinência por regurgitação depende da sua etiologia. Como dissemos as causas podem ser obstrução uretral ou hipocontratilidade do detrusor. Se existir obstrução uretral o tratamento, após a drenagem vesical, é cirúrgico, e, como geralmente é provocado por hipertrofia da próstata, a terapêutica consiste na sua excisão; se a obstrução é causada por apertos da uretra a terapêutica consiste na sua correcção. A hipocontratilidade do detrusor encontrada na clínica diária é frequentemente causada pela toma de medicamentos anticolinérgicos ou anti-espasmódicos; é, portanto, fundamental a sua suspensão. Pode, todavia, ser neurológica (neuropatia diabética ou outro tipo de neuropatia periférica) ou até psicológica, e a terapêutica a ser instituída para reverter a hipocontratilidade utiliza parassimpaticomiméticos (betanecol) ou beta-bloqueadores. Poder-se-à associar a manobras de Crédé, estimulação e percussão suprapúbica para contracção reflexa do detrusor e a compressão manual suprapúbica. A cateterização intermitente pode ter que ser usada ou mesmo a algaliação permanente ou o cateterismo suprapúbico.

 

» D – Incontinência funcional

O tratamento da incontinência funcional não passa pelo aparelho urinário mas sim pelos factores externos que a causam ou contribuem para a sua existência. A mobilidade pode ser melhorada, no caso de artrites ou contracturas musculares, com terapêutica analgésica e com aparelhos que favoreçam a mobilidade. Por outro lado pode não ser difícil pôr à disposição do doente equipamento para satisfazer imediatamente as suas necessidades, assim como colocar o doente num local próximo ao quarto de banho. Estas medidas não resultam, obviamente, no caso de incontinência funcional por alterações cognitivas; nesta situação as alternativas são diminuir ou suspender a medicação que a possa estar a causar, ou tratar a doença que desencadeou este quadro.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

ÁREA RESERVADA

|

Destina-se aos profissionais de saúde

Informações de Saúde

Siga-nos

Copyright 2017 Médicos de Portugal por digital connection. Todos os direitos reservados.