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Dossier: Incontinência Urinária

8 Dezembro, 2011 0

As análises recomendadas são para determinação da função renal, da glicémia, assim como um exame sumário de urina, uma urinocultura e exame citológico da urina para pesquiso de células neoplásicas. Os exames imageológicos recomendados são ecografias do alto e baixo aparelho urinário, com especial atenção à medição do resíduo miccional.

Numa segunda fase, e de acordo com a história colhida, os resultados do exame objectivo e dos exames complementares feitos, poderão ser feitos exames especializados como o exame urodinâmico ou uma cistouretroscopia. Deve existir grande ponderação e sensatez no pedido desses exames, porque não vale a pena sacrificar os idosos a fazer testes que os podem incomodar para, depois, não os poder medicar ou tratar porque o seu estado geral não o permite ou não estão cooperantes.

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Terapêutica

 

» A – Hiperactividade do detrusor

O tratamento da hiperactividade do detrusor tem, normalmente, duas fases; a primeira consiste na instituição de uma terapêutica comportamental e/ou estimulação eléctrica e a segunda, se necessário, será medicamentosa.

A terapêutica comportamental pretende alterar os hábitos da micção, suprimir a imperiosidade e aumentar a capacidade funcional da bexiga. Numa primeira fase, em casos em que haja um consumo exagerado de líquidos, pode recomendar-se restrição hídrica, geralmente a partir das 18 ou 19 horas, sobretudo se têm muitas micções nocturnas. Posteriormente deve avaliar-se qual é o intervalo das micções e em seguida marcar um horário para o doente urinar em que esse intervalo seja gradualmente maior. Este hábito permite que o doente aprenda a atrasar a micção e que possa dirigir-se, com tempo, ao quarto de banho. Numa terceira fase os doentes devem começar a fazer exercícios ou utilizar técnicas de reeducação perineal para tonificar a musculatura pélvica, pois a sua contracção provoca o aumento da pressão de encerramento da uretra e inibição reflexa da imperiosidade.

Os exercícios mais simples são os de Kegel, nos quais os doentes têm um programa de contracções voluntárias com a finalidade de aumentar o tónus dos músculos do pavimento pélvico e a resistência uretral, de uma maneira fácil e quase sem esforço. Consistem em contrair os músculos pélvicos (à volta do ânus e uretra) como se se quisesse interromper a micção ou impedir a saída de um gás pelo ânus. A sua maior dificuldade reside na percepção da localização desses músculos. Estes exercícios são executados de uma forma regular e contínua, são fáceis de cumprir e levam pouco tempo, durando entre 5 a 8 minutos, no máximo, uma ou duas vezes por dia. Podem ser executados enquanto se está deitado, sentado, de pé, a ver televisão ou a assistir a um espectáculo, a trabalhar à secretária ou mesmo enquanto se caminha devagar. Na realidade podem ser executados em qualquer situação excepto quando se estiver a exercer uma actividade física moderada ou forte. Os exercícios são completamente invisíveis para os outros, não havendo necessidade de qualquer equipamento especial a não ser, eventualmente, um relógio para marcar os segundos.

As técnicas de auto monitorização podem ser aplicadas nestes doentes e têm como finalidade, tal como os exercícios de Kegel, o aumento do tónus muscular do pavimento pélvico. Diferem dos últimos porque neles existe um sinal que avisa o doente que os grupos musculares que estão a ser trabalhados são, ou não, os que se pretende tonificar. A técnica mais simples, usada nas mulheres, consiste na inserção de pesos (cones) na vagina que a doente deve tentar reter através da contracção dos músculos pélvicos; quando o conseguir, esse peso será substituído por outro ligeiramente mais pesado e assim sucessivamente. Outra técnica, mais sofisticada, a que se dá o nome de “biofeedback” muscular pélvico, também pode ser utilizada: consiste na introdução de sensores de pressão, na vagina e no ânus, que estão ligados a um monitor; a esse monitor estão também ligados sensores, semelhantes aos usado nos ECG, e que são colocados sobre os quadrantes inferiores do abdómen e na raiz das coxas que servem para detectar contracções musculares. Quando a doente contrai correctamente os músculos do pavimento pélvico verá no monitor, o desenho de uma curva que se mantém elevada enquanto existir essa contracção. Se a contracção não for a adequada e utilizar grupos musculares que não deve, aparece um aviso no monitor referente a essa actividade muscular, que é captada pelos sensores abdominais e das coxas. A doente, desta maneira, têm uma noção mais clara de que grupo muscular está a fortalecer.

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