Dossier: Incontinência Urinária
D – O delírio é um estado confusional caracterizado por uma falta de atenção flutuante e grande desorientação que pode ser causado por medicação ou por estados patológicos. Algumas dessas situações apresentam-se de modo atípico e a incontinência pode ser a primeira manifestação. A terapêutica assenta no tratamento da patologia de base.
I – Outra causa de incontinência transitória é a infecção urinária sintomática ou oligo-assintomática (polaquiúria e incontinência como únicos sintomas). A polaquiúria e a imperiosidade originadas por esta patologia, aliadas à dificuldade de mobilização, que é comum nesta classe etária, são a causa das perdas involuntárias. O tratamento é antibioterapia correcta.
A – A vaginite atrófica, caracterizada por atrofia da mucosa vaginal, que se encontra friável, por vezes com pequenas erosões e hemorragias punctiformes, provoca sensações de ardor e disúria. Na uretrite atrófica, causada também por diminuição de estrogénios, não existe uma coaptação eficaz na mucosa da uretra, permitindo a passagem involuntária de urina. Como terapêutica devem ser administrados estrogénios, nomeadamente tópicos, que, de um modo geral, aliviam as doentes.
P – A farmacoterapia também tem um peso apreciável nesta patologia, não só pelos efeitos primários, mas também pelos secundários. É costume dividir as drogas em seis categorias:
Sedativos ou hipnóticos, diuréticos, anti-colinérgicos, agonistas e antagonistas dos receptores adrenérgicos, bloqueadores dos canais de cálcio e inibidores dos enzimas conversores da angiotensina.
A primeira categoria provoca incontinência pelo estado de obnubilação que podem causar. Destes destacam-se o diazepam e o flurazepam.
Os diuréticos que actuam na ansa de Henle têm a capacidade de poderem provocar um aumento de tal maneira súbito da diurese que os idosos, por falta de mobilização, podem ter incontinência.
Os medicamentos com efeitos anti-colinérgicos, dos quais se destacam os tranquilizantes major, os antidepressivos, os anti-parquinsónicos, os anti-histamínicos de primeira geração, os anti-arrítmicos como a disopiramida, os anti-espasmódicos e os opiáceos podem causar retenção urinária com incontinência por regurgitação. Estes medicamentos merecem uma especial atenção por duas razões. Primeiro porque muitas vezes os doentes tomam um ou mais de cada grupo e, segundo, porque alguns destes compostos existem em preparados que os doentes tomam sem prescrição médica.
Os antagonistas alfa-adrenérgicos, utilizados para tratar hipertensão arterial, podem causar incontinência de esforço por relaxamento do colo vesical e uretra. Pelo contrário, os agonistas alfa e beta adrenérgicos podem ser responsáveis por retenção urinária.
Os bloqueadores dos canais de cálcio actuam como anti-espamódicos pelo que também podem causar aumento do volume do resíduo miccional e, eventualmente retenção urinária e incontinência por regurgitação.
Por fim os inibidores das enzimas conversores da angiotensina podem induzir episódios de tosse que pode causar incontinência de esforço em doentes com esfíncteres deficientes.
P – Os problemas psicológicos existentes nesta classe etária como, por exemplo, a depressão podem ser causa de incontinência que os doentes desenvolvem para chamar a atenção sobre os próprios.
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E – O excesso de produção de urina, especialmente em doentes com dificuldades de mobilização, pode ser causa de incontinência.

