Dossier: Incontinência Urinária
Em alguns idosos a colheita da história clínica pode ser fácil, mas noutros isso não acontecerá; como é sabido, existem nesta classe etária, com uma frequência apreciável, perturbações cognitivas que impossibilitam qualquer diálogo. Nestes casos só a informação prestada por terceiros estará disponível, o que tornará difícil a avaliação. Este ponto é importante porque é necessário saber até que ponto a incontinência perturba ou não o idoso. A documentação da incontinência também será difícil nestes doentes e o método sugerido para a quantificar é a pesagem das fraldas.
Quando a colheita da história clínica for fácil esta deve ser tão detalhada quanto possível e focada nos pontos médicos, em geral, e nos problemas cirúrgicos, urológicos, ginecológicos e neurológicos, em particular. A história clínica deve conter uma análise detalhada das circunstâncias e do modo das perdas de urina, assim como de outras queixas relacionadas com a micção. É importante a pesquisa de antecedentes obstétricos e cirúrgicos, quando se iniciou a menopausa, qual o tipo de medicação tomada. Para melhor quantificar as perdas urinárias deve ser questionado qual o número de fraldas ou pensos usados por dia e deve ser pedido ao doente para fazer uma tabela de micções na qual se inscreve, durante dois ou três dias, as horas das micções, voluntárias e involuntárias e, desde que possível, a respectiva quantidade. Por fim, deve ser avaliado o estado mental e de mobilização dos doentes,assim como a sua análise psicológica e social, porque a incontinência pode levar o idoso a isolar-se da família e amigos levando-o a estados de depressão.
O exame objectivo deve incluir, além do exame urológico e ginecológico, a pesquisa de sinais de patologia neurológica ou médica em geral.
Deve ser feita uma avaliação em que conste o exame objectivo do abdómen e da zona urogenital (meato uretral, vagina, mucosa vaginal, prolapsos, estado do pavimento pélvico, palpação da uretra e bexiga, exame bimanual) e testes em que se provoque um aumento da pressão intra-abdominal. O teste de Bonney é um deles e consiste em pedir a uma doente que esteja em posição ginecológica e com a bexiga cheia, que tussa ou aumente a pressão intra abdominal; ao mesmo tempo deve ser observado o meato urinário para se ver se há ou não emissão de urina. No caso da haver emissão de urina colocam-se dois dedos na vagina, um de cada lado da uretra, sem a apertar, aplica-se uma ligeira força para cima, contra o rebordo inferior do púbis; pede-se novamente à doente para tossir e, se não houver perda de urina, a causa é por hipermobilidade da uretra; se, pelo contrário, se verificar perda de urina, devemos estar na presença de deficiência intrínseca do esfíncter. Um outro teste é o chamado teste do cotonete no qual, a uma doente em posição ginecológica, se coloca um cotonete no meato urinário e se pede para tossir. Se a angulação feita pelo cotonete durante este aumento da pressão intra-abdominal for superior a 30° devemos estar na presença de uma hipermobilidade da uretra. É importante também fazer um exame neurológico sumário no qual se avalia o tónus e contracção dos músculos pélvicos e o reflexo bulbo-cavernoso

