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Dossier: Incontinência Urinária

8 Dezembro, 2011 0

Este estado pode ter origem em aumento da ingestão de líquidos, toma de diuréticos ou alterações metabólicas como a hiperglicémia ou hipercalcémia.

Esta alteração pode ser a causa de incontinência associada a noctúria pelo que merece uma atenção especial.

A noctúria é definida como a necessidade de acordar com a finalidade de urinar, mais que uma vez, durante a noite. Pode acontecer em consequência do aumento da diurese nocturna (chama-se nictúria) e, só por si, não é uma causa de incontinência; todavia, na presença de uma bexiga de pequena capacidade, instabilidade vesical ou diminuição da pressão de encerramento da uretra, o aumento da diurese pode levar a incontinência.

Uma das causas do excesso de produção nocturna de urina, especialmente nos idosos, é a existência de insuficiência cardíaca congestiva. Durante o dia estes doentes têm fluxo arterial baixo a nível renal e, por consequência, um filtrado glomerular baixo. Durante a noite o volume de sangue expelido pelo coração é o mesmo que durante o dia mas, como as necessidades do organismo são menores, existe um aumento do fluxo arterial renal e do filtrado glomerular e consequente aumento da diurese.

Outra causa de aumento da diurese nocturna é a inversão do ritmo circadiano da produção de hormona anti-diurética que se manifesta por razões desconhecidas.

Além das causas já mencionadas é importante entender que a dificuldade de mobilização e destreza também podem facilmente transformar a noctúria em incontinência. Um idoso que seja acordado durante a noite pela vontade de urinar e não lhe seja possível, por dificuldade de mobilização, chegar a tempo ao quarto de banho, terá certamente incontinência. O mesmo se passa se existir dificuldade na destreza e não conseguir apanhar o recipiente em que normalmente urina.

A maneira de lidar com estes problemas pode passar, num primeiro tempo, por diminuir a quantidade de líquidos ingeridos após o entardecer, se estes forem abundantes, ou então suspender produtos que irritam a bexiga como o café ou álcool.

A terapêutica inicial para este tipo de incontinência consiste numa tentativa de alteração de comportamentos, tais como acordar durante a noite para urinar ou então submeter-se a um treino que aumente a capacidade vesical. A terapêutica medicamentosa terá lugar para, se possível, tratar a causa subjacente, como no caso de existir insuficiência cardíaca ou, em alternativa, administrar desmopressina para diminuir a diurese nocturna ou anticolinérgicos para aumentar a capacidade de acomodação vesical.

Por último, a destreza e mobilidade dos doentes poderá ser melhorada com fisioterapia ou administração de analgésicos.

R – A restrição da mobilidade, por causas evidentes como, por exemplo, artroses nos membros inferiores, é facilmente compreendida como causa de incontinência. No entanto esta restrição pode ter origem em factos que, numa primeira abordagem, não seriam valorizados como, por exemplo, hipotensão ortostática ou pós prandial, sapatos apertados ou grandes demais que causam dificuldade na marcha ou a instabilidade causada pelo simples medo de cair ao chão.

S – Os fecalomas são causa de incontinência urinária em cerca de 10% dos casos observados em consultas para idosos incontinentes. Um dos mecanismos desta associação poderia envolver a estimulação de receptores opióides. A suspeição desta situação deve surgir quando se manifestam simultaneamente incontinências urinária e fecal, em que fezes líquidas ou pastosas conseguem passar à volta do fecaloma.

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