Dossier: Incontinência Urinária
A incontinência por deficiência intrínseca do esfíncter manifesta-se quando existe fraqueza do esfíncter interno que, por se encontrar entreaberto (hipotónico e/ou rígido), permite a saída de urina quando aumenta a pressão intra-abdominal. Tanto a hipermobilidade da uretra como a deficiência intrínseca do esfíncter têm manifestações clínicas idênticas.
Este problema também pode ocorrer quando se administra bloqueadores alfa adrenérgicos, porque estes, ao relaxarem o colo vesical, diminuem a pressão de encerramento da uretra e podem causar incontinência de esforço.
A incontinência por regurgitação é sobretudo nocturna e é a causa de cerca de 10% das incontinências dos idosos. Desenvolve-se quando há retenção urinária crónica completa, na qual a pressão de encerramento da uretra é superior à pressão intra-vesical; pode, portanto, aparecer nas situações em que existe uma obstrução por barragem infra-vesical ou, em alternativa, quando há uma bexiga hipocontráctil. Fisiopatologicamente podem estabelecer-se dois graus de retenção urinária crónica: no primeiro, existe um resíduo miccional, isto é, o doente tem capacidade de urinar mas não esvazia totalmente a bexiga; no segundo, a bexiga perde a sua capacidade contráctil e a quantidade de urina que fica na bexiga após a micção é igual à sua capacidade máxima; as micções não se fazem por contracção do detrusor, que está estirado até à sua máxima capacidade, mas quando a pressão intra-vesical ultrapassa a pressão de encerramento da uretra. A pressão intra-vesical, neste caso, eleva-se à custa da urina que entra pelos ureteres e, quando esta pressão é superior à uretral, há uma perda de urina até que a pressão intra-vesical se equilibre com a pressão uretral. Este fenómeno, que se chama micção por regurgitação, pode ser, como dissemos, causado por obstrução uretral com origem numa hipertrofia benigna da próstata, em neoplasias da próstata ou da uretra, estenoses da uretra, grandes prolapsos uterinos, fecalomas, ou então por hipocontratilidade do detrusor resultante de neuropatias diabéticas ou alcoólicas, lesões da medula, ou uso de medicamentos com efeito anticolinérgicos como alguns neurolépticos, narcóticos, antidepressivos e relaxantes musculares.
A incontinência funcional é a que tem por causa dificuldades crónicas das funções cognitivas e/ou da mobilização e que interferem nos hábitos normais de higiene, ou seja, estes doentes, em princípio, são continentes mas, devido a essas dificuldades, não conseguem alcançar o quarto de banho a tempo. A dificuldade de mobilização pode ser devida a artrites graves, a contracturas musculares, ou mesmo a debilidade generalizada. As perturbações cognitivas podem ser devidas a medicação tomada pelos doentes ou resultante de estados de delírio ou demência. Normalmente estes doentes não têm qualquer tipo de alteração no seu aparelho urinário e a incontinência é resultante de factores externos.
Diagnóstico
O percurso diagnóstico da incontinência urinária crónica nos idosos inicia-se pela confirmação da sua presença e características e tem três objectivos primordiais. Primeiro, determinar a etiologia da incontinência; segundo, detectar a existência de patologia urinária associada e, em terceiro, fazer uma avaliação do estado mental e físico assim como de outras patologias coexistentes e da medicação que tomada.

