Sida ainda alimenta preconceitos - Página 6 de 8 - Médicos de Portugal

A carregar...

Sida ainda alimenta preconceitos

15 Dezembro, 2008 0

Perante o contacto com qualquer um dos dois tipos de vírus, “o sistema imunitário entra em falência e, por isso, fica mais sujeito à aquisição de infecções e neoplasias oportunistas”, refere António Mota Miranda. Quando o organismo perde a imunidade, ao ponto de não se poder defender dos agentes infecciosos, surgem as primeiras manifestações de Sida: a doença propriamente dita. Até este período, há uma fase de ausência de sintomas, pelo que, até á realização do teste de diagnóstico, não é possível comprovar a partir do aspecto físico a presença de VIH.

“Todas as pessoas que tiveram comportamentos de risco devem procurar os centros de diagnóstico rápido para obterem a confirmação de seropositividade junto dos profissionais de saúde”, diz o Prof. Meliço Silvestre, Director do Departamento de Doenças Infecciosas dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Segundo refere o especialista, a suspeita de Sida recai sobre os doentes que surgem nos hospitais com infecções oportunistas, “um sinal de que já são portadores do vírus há alguns anos”. Se por um lado é bom não haver sintomas durante um período de 5 a 10 anos, por outro lado é mau, “porque os seropositivos, ao desconhecerem-se portadores do vírus, podem infectar várias pessoas”.

Para evitar a transmissão, o especialista defende que o uso do preservativo em relações sexuais ocasionais “é fundamental”. Diz Meliço Silvestre que “quem vê caras, não vê Sida”. Significa que um doente infectado pode apresentar um aspecto normal que não levante suspeitas da sua seropositividade.

Já nos casais com uma relação estável, o infecciologista defende que a questão do uso do preservativo não se coloca nos mesmos termos das relações pontuais. “É preciso haver uma base de confiança total para evitar o uso dos preservativos no seio familiar. No caso de haver algum comportamento de risco fora do casamento, é preciso que um dos membros dos casal se previna, para não infectar o parceiro/a.”

 

Terapêutica mais simplificada

A evolução dos tratamentos anti-retrovirais desde há 20 anos permitiu que, hoje em dia, os doentes tenham acesso a esquemas terapêuticos mais simplificados. “Há uns anos, os doentes necessitavam de tomar vários comprimidos por dia, com a agravante de que tinham de estar sujeitos a restrições alimentares”, explica o Dr. Eugénio Teófilo, médico internista do Hospital dos Capuchos, em Lisboa.

Os tratamentos para o VIH/Sida assentam numa combinação de medicamentos que, em conjunto, conseguem impedir a replicação do vírus dentro das células. Desde o início do ano, já é possível administrar esquemas terapêuticos de um só comprimido que, isoladamente, agrega três substâncias.

“Os medicamentos actuais possuem uma eficácia igual aos superior aos medicamentos antigos, mas com menos toxicidade. Para além deste aspecto, há a questão da simplificação. É muito mais fácil o doente tomar a medicação, sem se esquecer, quando está integrado em esquemas mais simples, com menos comprimidos.”

Como a infecção para o HIV, por ora, ainda é uma doença crónica, para a qual não existe cura, a terapêutica tem de ser, obrigatoriamente, administrada ao longo de toda uma vida. Os medicamentos, “ao controlarem a replicação do vírus, impedem-no de usar a maquinaria da célula do sistema imunitários para fazer cópias de si próprio”.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8

ÁREA RESERVADA

|

Destina-se aos profissionais de saúde

Informações de Saúde

Siga-nos

Copyright 2017 Médicos de Portugal por digital connection. Todos os direitos reservados.