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Sida ainda alimenta preconceitos

15 Dezembro, 2008 0

Travar a propagação através da prevenção

O sistema imunitário pode ser comparado a um “exército”, com várias células que desempenham diferentes papéis nas defesas do organismo. Porém, quando as células CD4, um tipo de linfócitos (glóbulos brancos), são invadidas pelo vírus da Sida, o sistema perde os seus “generais”. Estas células funcionam como agentes de autoridade dentro do sistema imunitário e são elas que emitem ordens para nos defendermos das agressões. Como o VIH é um vírus “inteligente”, apropria-se das células e faz com que toda a “maquinaria” celular reproduza cópias do VIH.

Perante o contacto com qualquer um dos dois tipos de vírus, “o sistema imunitário entra em falência e, por isso, fica mais sujeito à aquisição de infecções e neoplasias oportunistas”, refere António Mota Miranda. Quando o organismo perde a imunidade, ao ponto de não se poder defender dos agentes infecciosos, surgem as primeiras manifestações de Sida: a doença propriamente dita. Até este período, há uma fase de ausência de sintomas, pelo que, até á realização do teste de diagnóstico, não é possível comprovar a partir do aspecto físico a presença de VIH.

“Todas as pessoas que tiveram comportamentos de risco devem procurar os centros de diagnóstico rápido para obterem a confirmação de seropositividade junto dos profissionais de saúde”, diz o Prof. Meliço Silvestre, Director do Departamento de Doenças Infecciosas dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Segundo refere o especialista, a suspeita de Sida recai sobre os doentes que surgem nos hospitais com infecções oportunistas, “um sinal de que já são portadores do vírus há alguns anos”. Se por um lado é bom não haver sintomas durante um período de 5 a 10 anos, por outro lado é mau, “porque os seropositivos, ao desconhecerem-se portadores do vírus, podem infectar várias pessoas”.

Para evitar a transmissão, o especialista defende que o uso do preservativo em relações sexuais ocasionais “é fundamental”. Diz Meliço Silvestre que “quem vê caras, não vê Sida”. Significa que um doente infectado pode apresentar um aspecto normal que não levante suspeitas da sua seropositividade.

Já nos casais com uma relação estável, o infecciologista defende que a questão do uso do preservativo não se coloca nos mesmos termos das relações pontuais. “É preciso haver uma base de confiança total para evitar o uso dos preservativos no seio familiar. No caso de haver algum comportamento de risco fora do casamento, é preciso que um dos membros dos casal se previna, para não infectar o parceiro/a.”

 

Terapêutica mais simplificada

A evolução dos tratamentos anti-retrovirais desde há 20 anos permitiu que, hoje em dia, os doentes tenham acesso a esquemas terapêuticos mais simplificados. “Há uns anos, os doentes necessitavam de tomar vários comprimidos por dia, com a agravante de que tinham de estar sujeitos a restrições alimentares”, explica o Dr. Eugénio Teófilo, médico internista do Hospital dos Capuchos, em Lisboa.

Os tratamentos para o VIH/Sida assentam numa combinação de medicamentos que, em conjunto, conseguem impedir a replicação do vírus dentro das células. Desde o início do ano, já é possível administrar esquemas terapêuticos de um só comprimido que, isoladamente, agrega três substâncias.

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