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Educação Sexual

6 Dezembro, 2011 0

Por outro lado, ainda no terreno dos valores e atitudes face à sexualidade, a escola pode ainda ter outro papel fundamental, sobretudo a partir da adolescência: o da promoção de espaços de debate entre as diversas posições morais que são típicas da modernidade (ao contrário do pensamento moral único típico de épocas anteriores) e que se manifestam não só em termos da opinião pública mas também entre os próprios jovens.

Existe pois uma dimensão simbólica e prática de cidadania na escola, reconhecedora da diversidade de posições morais em diversas matérias e promotora da capacidade de tolerância face a esta diversidade.

 

A escola e as competências sociais

Em termos de competências sociais, são provavelmente as relações familiares e entre pares e, no futuro, o próprio relacionamento amoroso e sexual, que são os espaços fundamentais na sua aquisição e desenvolvimento.

No entanto, a abordagem de temas sexuais na escola pode contribuir para o desenvolvimento de determinadas competências. Um estudo recente de avaliação ex post facto de grupos de jovens que frequentaram ou não um programa de educação sexual em Portugal (Sousa, 2003), revela que uma das diferenças detectadas entre o grupo experimental e o grupo de comparação é um maior uso do preservativo e do método duplo, os quais podem ser entendidos como indicadores de uma maior percepção e prevenção de situações de risco.

Tais conclusões integram-se nas conclusões de numerosos estudos de avaliação de programas de educação realizados em diversos países e contextos culturais que mostram que a frequência de programas de educação sexual aumenta os comportamentos preventivos, nomeadamente o uso de contraceptivos nos jovens envolvidos em relações sexuais (Eggleston et AI, 2000; Kirby, d. 1999; Boyer et AI, 1997).

Outras competências que podem ser exercitadas são, por um lado, os mecanismos da tomada de decisão, a utilização dos recursos disponíveis e as capacidades de comunicar.

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A escola e a literacia

Mas é sobretudo no domínio dos conhecimentos que a escola poderá cumprir um papel mais importante, quando comparada aos outros agentes de socialização que referimos. Ao contrário dos media, a escala tende a promover uma aprendizagem de forma
articulada e com um sentido lógico. Por outro lado, a escala, por ser um espaço de ensino formal e de saberes interdisciplinares, é capaz de transmitir conhecimentos técnicos e científicos que, muitas vezes, as famílias não podem promover (pela sua natureza informal e pela deficiente preparação e dificuldades de comunicação de muitos progenitores) nem os mass media são capazes de transmitir de forma regular.

Lemos (2002) num estudo de impacto de um programa de educação sexual na cidade de Coimbra, revelou que as turmas que participaram em programas de educação sexual tiveram efectivamente aumentos significativos nos conhecimentos quando comparados com turmas que não participaram nos referidos programas.

Também Almeida et AI (2003), referiram que as gerações mais jovens de mulheres, que são simultaneamente as mais escolarizadas, referem amiúde a escola como lugar de aquisição de conhecimentos sobre questões como os mecanismos reprodutivos e os métodos contraceptivos, contrastando com as gerações mais velhas que, nestas matérias, foram sendo sobretudo informadas pelas amigas e colegas de trabalho.

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