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Educação Sexual

6 Dezembro, 2011 0

Mesmo nas famílias em que existe uma comunicação com mais intensidade e eficácia, há que pensar que as práticas parentais e a comunicação entre progenitores e adolescentes continuarão a ter essencialmente um carácter informal e que, muitos progenitores e adolescentes continuarão a ter dificuldades reais na comunicação sobre este tipo de questões. Dificuldades estas que são inerentes às características da adolescência e, noutros casos, às incapacidades ou insuficiências dos progenitores neste campo específico” (Vilar, 2003).

Assim, se é verdade que o contexto familiar é, pela sua natureza e pela sua presença quotidiana, um actor essencial no processo de socialização, ele muitas vezes não é, de facto, como às vezes se afirma, o primeiro nem muito menos o único agente de educação sexual. Delegar nas famílias a educação sexual das crianças e dos jovens é continuar a situação de ignorância absoluta sobre as questões da sexualidade e limitar este direito às famílias cultural e tecnicamente mais apetrechadas.

A educação sexual entre pares Quanto aos pares – os amigos, os colegas, os parceiros amorosos -, estes constituem também um contexto essencial de crescimento e de interacção, sendo eles próprios o reflexo dos diversos contextos de educação sexual em que se situam.

No círculo de amigos, o jovem ou a jovem aprende com os outros, testa e desenvolve competências, cria vínculos e relações amorosas.

Integra as normas dos grupos e das gerações de pertença. Desenvolve os seus próprios valores e estilos de vida contrariando ou não o mundo dos adultos e as mensagens parentais.

Tal como a família, os pares e os parceiros operam mais o contexto das atitudes e são um campo de treino de competências sociais várias, incluindo as sexuais.

Mas sobretudo reproduzem os contextos sociais e comunicacionais em que se integram, com os seus mitos e crenças, misturadas por vezes com informações importantes e adequadas nesta matéria.

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2. QUE ESPAÇO PARA A INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO SEXUAL?


A escola, os valores e as atitudes face à sexualidade

Em termos da formação das atitudes, as famílias e os mass media são agentes muito mais poderosos do que a educação sexual escolar. À semelhança das famílias, nas nossas escolas vive-se, em geral, um ambiente liberal e descontraído em relação aos temas da sexualidade. Mas este ambiente tem menos a ver com os conteúdos de ensino e muito mais com o espaço de convívio que a escola constitui.

No entanto, se a escola e o sistema educativo assumirem a integração das questões relativas à sexualidade humana, transmitir-se-ão diversas mensagens importantes e positivas para as crianças, para os jovens e para outros agentes de socialização: em primeiro lugar, a ideia de que a sexualidade faz parte da vida e até da vida escolar, nomeadamente das preocupações educativas e não deve ser uma dimensão ocultada e obscura; em segundo lugar, a ideia de que a sexualidade em si é uma componente positiva da condição humana e que, como todas as outras esferas da condição humana, pode ser conhecida e abordada no contexto escolar (Zapiain, 2002).

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