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Educação Sexual

6 Dezembro, 2011 0

Mos os mass media não têm uma lógico única nem coerente. A TV e os revistos, apesar de nelas se poderem descortinar linhas de fundo manifestos em certos orientações editoriais, alteram constantemente os sentidos dos suas mensagens e não fornecem (nem podem fornecer porque não é essa a sua natureza) um encadeado lógico de mensagens. Fornecem alguma informação, mas esta informação é parcelar, espartilhada, selectiva, superficial, muitas vezes mistificadora e confusa na sua apresentação.

As mensagens audiovisuais são altamente voláteis (o que não quer dizer que não sejam eficazes). As mensagens escritas, nomeadamente as páginas dedicadas a questões sexuais das revistas femininas, masculinas ou juvenis, consomem-se de maneira informal porque estas publicações têm uma natureza iminentemente lúdica.

Os mass media, sobretudo, têm alterado as paisagens morais, legitimam o que antes era oculto, e introduzem frequentemente novos temas para o debate quotidiano. Exemplo paradigmático desta função é o papel que as famosas telenovelas brasileiras têm tido na cena mediática e social portuguesa: desde a surpresa, no final dos anos 70, do erotismo de “Gabriela, Cravo e Canela”, até às questões como a homossexualidade masculina e feminina ou a clonagem, intencionalmente introduzidas e trabalhadas pelas produtoras de novelas televisivas e que, efectivamente, acabam por provocar milhares de pequenos debates nos círculos quotidianos.

Como foi dito, os media influenciam poderosamente, mesmo com a sua carga mistificadora, o contexto ambiental e o das atitudes, uma vez que passam a ideia de uma realidade liberal e permissiva em que a sexualidade tem um destacado lugar.

No entanto, influenciam muito pouco o domínio dos conhecimentos, da literacia e das competências. Neste sentido, delegar nos mass media o papel principal na socialização sexual das crianças e jovens é altamente redutor e perigoso.

 

As famílias e a educação sexual das crianças e jovens

As mudanças referidas influenciaram também as famílias enquanto espaços de socialização sexual.

O que a seguir vamos referir resultou, no essencial, de um estudo que realizámos em 1999 e que abrangeu cerca de 100 famílias de adolescentes da região de Lisboa (Vilar, 2003).

A liberalização das normas sociais relativas à sexualidade das últimas décadas, nomeadamente em relação à sexualidade dos jovens, traduziu-se – pelo menos nas famílias que estudámos – mais em ambientes familiares permissivos e menos em práticas educativas parentais que apoiem efectivamente os jovens nas suas dúvidas ou problemas concretos relativos à sexualidade ou às suas vivências sexuais.

Tal como tivemos oportunidade de referir, não são só os progenitores que originam o que acabámos de referir.

Às dificuldades e resistências dos progenitores, correspondem também dificuldades e resistências dos próprios adolescentes que, muitas vezes, evitam abordar estes temas por receio de críticas ou outro tipo de intrusões na sua intimidade.

Pensamos também que é necessário ser realista relativamente ao que se espera dos progenitores e no que se relaciona com a educação sexual dos filhos adolescentes. Os contextos familiares são muito importantes na formação da identidade sexual na formação das atitudes e na formação dos traços estruturais de personalidade que irão sendo investidos em todas as áreas do crescimento e das relações estabelecidas.

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