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Educação Sexual

6 Dezembro, 2011 0

Sendo socialmente modelada, a sexualidade humana e as suas regras morais foram sendo construídas nas transformações sociais mais globais, nas mudanças que se foram produzindo nas mentalidades e nas instituições com ela mais relacionadas, nomeadamente a conjugalidade e o campo das relações familiares.

É esta aprendizagem específica, ou socialização, que se faz de forma intencional sobre esta “área” de questões, que se costuma designar (à falta de melhor termo) por educação sexual.

Tendo em conta as ligações da sexualidade às outras dimensões da identidade pessoal e das relações interpessoais e a sua mediatização social, a educação sexual integra todo um conjunto de outras áreas de aprendizagem tais como os valores e os afectos, ou as questões de género, a estrutura de personalidade, ou as competências dos indivíduos para lidarem com a intimidade.

A socialização dos indivíduos na área da sexualidade é, pois, um processo em que intervêm, assumindo ou não essa intervenção, todos os actores que nos modelam a nossa identidade em todas as áreas da nossa vida. Falo dos contextos mais informais como o familiar- progenitores e fratria- e os pares ou amigos. Refiro-me aos grandes modeladores sociais como os mass media e refiro-me finalmente ao meios de educação formal e nestes, em primeiro lugar, a escola.

 

1. A EDUCAÇÃO SEXUAL NÃO PROFISSIONAL

Há algum tempo atrás, Helena Matos, uma cronista de um dos maiores diários portugueses, afirmava que o sexo é uma “matéria dos amantes” e não uma matéria escolar. Mais referia que, as tentativas de integrar o sexo na vida escolar, resultaram sistematicamente em tentativas de manipulação e controlo moral das crianças e jovens.

Esta crença, em parte verdadeira, é bastante frequente: a de que a sexualidade se aprende e se deve aprender – como sempre aconteceu – na própria vida quotidiana e nas interacções amorosas e que, neste processo, a intervenção de profissionais é desnecessária e mesmo indesejável.

No seu início, a ideia da educação sexual surgiu como uma reacção ao conservadorismo moral e ao silêncio a que as questões sexuais estavam votadas neste modelo moral. A ideia, era que, face ao silêncio das famílias e da sociedade, era preciso que os profissionais agissem e abordassem estas questões com os jovens, num processo com uma ampla vertente de esclarecimento e de libertação pessoais.

Tal necessidade foi também fundamentada nas questões da prevenção da gravidez não desejada e, já nos anos 90, na questão da SIDA. A educação sexual era vista, numa perspectiva de saúde, como um factor de prevenção das doenças.

A educação sexual profissionalizada, foi assim frequentemente definida pela negativa e em alternativa ao papel que outros agentes de socialização não podiam ou não queriam realizar (1).

No entanto, e como é sabido, nas últimas décadas do século XX operou-se nas sociedades ocidentais um conjunto de transformações profundas e aceleradas nos valores, normas e práticas sociais sobre as questões da sexualidade (Vilar, 2003).

O modelo reprodutivo, que limitava no plano moral as expressões da sexualidade aos campos das práticas reprodutivas, do matrimónio e da heterossexual idade, deu lugar a um modelo “recreativo” em que a sexualidade é vista essencialmente como uma dimensão lúdica da vida. Esta dimensão lúdica é entendida no seu sentido mais global, ou seja, não só como a necessidade de satisfação física da “fome sexual” ou da descarga energética de que nos falavam Freud ou Reich, mas como um campo de expressão da totalidade humana – corpo, emoções, desejos, fantasias, significações e relacionamentos.

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