Ejaculação prematura
Por tudo isto, este especialista assegura que o mais importante na terapia sexual é “reoxigenar a relação entre o casal, promovendo a intimidade e o diálogo”. A psicoterapia é um método de reeducação sexual, com a qual se obtêm “bons resultados”, desde que “a companheira se disponibilize a ajudar”. No fundo, “pretende-se ensinar o homem a controlar os sinais premonitórios que surgem imediatamente antes da ejaculação”. Mas, sendo este um tratamento progressivo, existem várias etapas até à obtenção dos primeiros resultados.
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“Na primeira fase o objectivo é tranquilizar o casal, favorecer o diálogo na relação e desmistificar o problema. Depois, pode-se introduzir a medicação para aumentar os níveis de confiança do homem, porque um fármaco não deve ser receitado sem apoio psicológico prévio. No final destas etapas, segue-se a terapia cognitiva-comportamental propriamente dita (implementada desde os anos 70), que visa a melhoria das cognições negativas que o membro masculino interioriza em relação ao problema”, fundamenta Rui Xavier Vieira.
Mulher também entra
Segundo Jorge Rocha Mendes, há casos em que são as próprias mulheres a marcar as consultas e a abordar o tema com os médicos de família. E isto acontece porque há homens que manifestam uma certa “resistência” e vergonha em tocar no assunto. Mas, mais do que despertarem o homem para o problema, as mulheres têm de participar activamente no tratamento.
“Uma terapia comportamental só com o homem, não sendo impossível que produza resultados, é muito mais complicada”, diz Nuno Monteiro Pereira. “O elemento essencial deste tratamento é a mulher”, já que o sucesso depende da sua colaboração, acrescenta. O terapeuta precisa de “avaliar o casal, como um todo, perceber a sexualidade, conhecer os limites, os tabus e as dificuldades”, diz o urologista. Só depois desta “radiografia” é que “prescreve a terapia sexual, geralmente baseada em experiências sexuais que se realizam em casa, de erotismo crescente, mas controlado”.
Mas, ao contrário do que se pensa, a terapia sexual “não é só conversa”. É uma terapia “dinâmica”, com uma duração de quatro a seis semanas, que exige uma ligação e um trabalho contínuo dos dois membros do casal. Se estiverem reunidas todas as “condições ideais”, a taxa de sucesso “pode rondar os 70-80%”. Trata-se de terapia que exige “alguma frequência da actividade sexual” e uma disponibilidade total dos parceiros. Durante todo o processo, é de extrema importância que não haja condicionalismos externos. “É preciso que o casal se sinta perfeitamente à vontade e que não haja obstáculos que perturbem a relação, como morar com a sogra, ter filhos pequenos ou ter receio que a expressividade sexual se ouça, por exemplo, em casa do vizinho.”
Gradualmente, são usadas estratégias de “dessensibilização”, nomeadamente através do acto sexual sem penetração. Durante “várias jornadas, o que se pretende é que, aos poucos, o homem descubra o chamado ponto de “inevitabilidade ejaculatória” e o comece a controlar”. O sucesso de todo este processo depende do incentivo dado pela mulher e da percepção masculina de que o tratamento está a produzir resultados positivos.

