Ejaculação prematura
Se existe uma discrepância temporal, o sexo pode não ser de todo satisfatória para a mulher, já que o prazer é “interrompido” pela ejaculação prematura do companheiro. O homem “está programado para actuar como um interruptor, ao passo que a mulher, dentro da relação sexual, funciona de uma forma mais contextualizada e romantizada”. Para poder controlar a ejaculação, o homem tem de perceber a mecânica feminina e entender que “existem outras formas de gratificação sexual, que não apenas o coito vaginal”, indica o psiquiatra.
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Neste jogo, ambos os membros do casal têm uma palavra a dizer. O homem que se depare com ejaculação prematura deve procurar ajuda especializada para ultrapassar o problema. Mas, por vergonha, inércia ou preguiça, nem sempre isto acontece. “Alguns parceiros, apesar da ejaculação prematura, sentem-se realizados com o seu prazer, demonstrando uma atitude um pouco egoísta e machista”, fundamenta Jorge Rocha Mendes.
Segundo Nuno Monteiro Pereira, a mulher “deve ser conselheira do companheiro que sofre de ejaculação prematura, ajudando-o a reduzir os níveis de ansiedade, visto que este é um dos factores que mais perturba a função ejaculatória”. O casal deve tentar encontrar estratégias para que o orgasmo possa ocorrer praticamente em simultâneo. E isto pode ser conseguido através do prolongamento dos preliminares, de modo a que a mulher fique excitada antes da penetração e o homem não tenha de aguardar demasiado tempo até ao momento de ejacular. “Quando a situação não se resolve facilmente com estes meios há que procurar outras soluções.”
Neste sentido, o terapeuta sexual surge como um agente de mudança, mas sempre numa perspectiva multidisciplinar e psicossomática. “O especialista não se limita a prescrever um medicamento para prolongar pontualmente o prazer. O papel do terapeuta é ajudar o casal a produzir as transformações necessárias para que a intimidade da dupla funcione melhor”, garante Rui Xavier Vieira.
Para o psiquiatra, antes de qualquer medicação [“uma arma preciosa no tratamento], é necessário fazer “um acompanhamento geral da relação”, para que “tanto o homem, como a mulher, pensem na sexualidade, porque o sexo também está na cabeça”. O casal tem de se “sentir sexuado e satisfeitos com o corpo”.
Dinâmica a dois
Antes de se avançar com um tratamento, é necessário efectuar o diagnóstico preciso da ejaculação prematura, que assenta, sobretudo, na história clínica. “O relato da consulta vai ajudar a esclarecer desde quando e em que circunstâncias ocorreu a ejaculação prematura. A partir destas informações, o especialista sabe se está perante um tipo de disfunção primária ou secundária, orientando o homem consoante a idade e as características do problema”, esclarece o presidente da SPA.
“Dizer que a ejaculação prematura é a disfunção sexual mais fácil de tratar é um mito, porque depois de vários anos de rotina os casais criam hábitos negativos”, acrescenta Rui Xavier Vieira. O psiquiatra indica que o casal, após várias tentativas para reverter o problema, acaba por se distanciar da intimidade. “O homem tem medo que a companheira fique insatisfeita. As parceiras, por outro lado, deixam de colaborar, devido ao estado de apatia e aborrecimento em que mergulham.”

