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Perigos à mesa

1 Agosto, 2009 0

Antes de escolher o cardápio deste Verão, saiba que a comida ingerida pode não estar nas melhores condições. Para evitar alguns amargos de boca, conheça as medidas que o ajudarão a prevenir as doenças de origem alimentar. E, já agora, bom apetite!

Quando leva o garfo à boca, pense nas condições em que se encontram os alimentos que consome. Não vá a comida cair mal. E isto acontece porque, segundo a Dr.ª Sónia Mendes, Consultora de Nutrição, Segurança Alimentar e do Trabalho, “a maioria das doenças de origem alimentar são causadas por microrganismos (bactérias, vírus, parasitas ou fungos)”, presentes nos géneros alimentícios.

“Actualmente, as doenças de origem alimentar classificam-se em dois grupos: intoxicações ou infecções. As primeiras são causadas pela ingestão de alimentos que contêm toxinas, ao passo que as infecções são provocadas pela ingestão do próprio agente patogénico, presente no alimento”, explica a nutricionista.

No caso particular das “intoxicações alimentares de origem bacteriana, a toxina pode persistir no alimento, mesmo depois da bactéria ser destruída por acção do calor”. As bactérias e os vírus são, normalmente, os “agentes” que estão na origem das doenças alimentares, tanto nas infecções, como nas intoxicações.

“Segundo o último relatório da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, publicado a 30 de Abril, a Salmonella enteritidis foi a causa da maioria das doenças reportadas de origem alimentar, tendo sido confirmada a sua presença em ovos e produtos à base de ovos”, fundamenta a especialista. A segunda causa de doença alimentar, na União Europeia, foram os vírus presentes em crustáceos, moluscos, marisco e em refeições servidas em buffets.”

De acordo com as informações apontadas pela nutricionista, “curiosamente”, constatou-se que “37% dos casos [de intoxicação alimentar] são de origem doméstica”. Mas os números não se ficam por aqui: “Dos restantes, 28,6% tinham origem em restaurantes/café/pubs/bares/hotéis; 8% em escolas/infantários, 5% em cantinas e refeitórios empresariais, 4,5% em hospitais, 1,8% em instituições para idosos e 11,6% em outros locais (no campo, piqueniques, take-away, fast-food, catering temporário em feiras ou festivais, instalações alimentares temporárias como roulottes, vendedores de rua, mercados ou outros).”

 

“Inimigos” invisíveis

Segundo Sónia Mendes, os alimentos implicados na maioria das complicações foram, de acordo com o relatório da União Europeia, por ordem decrescente: ovos e ovoprodutos, pescado, produtos de pastelaria, carne de porco e subprodutos, crustáceos, marisco, moluscos, carne picada e subprodutos (como rissóis e pasteis), carne de bovino, queijo e água. “No entanto, temos que ter sempre presente que, caso haja uma falha no sistema preventivo de segurança alimentar, um produto contaminado poderá, rapidamente, infectar todos os outros e até as próprias instalações alimentares, equipamentos, utensílios e pessoas”, fundamenta a nutricionista.

Embora não haja dados relativos à ocorrência de infecções ou intoxicações na altura do Verão, a especialista garante que ” aumento da temperatura ambiente é um factor que favorece o crescimento dos microrganismos, nomeadamente das bactérias”. Neste sentido, aconselha a “redobrar os cuidados de higiene e segurança alimentar”.

No capítulo da segurança alimentar, a nutricionista aponta várias causas que estão na base das doenças alimentares, nomeadamente “a falta de higiene ou não cumprimento de regras simples de segurança alimentar: manutenção dos alimentos a temperaturas de risco (ambiente); confecção incompleta da carne, peixe ou ovos; vegetais mal lavados; mãos mal higienizadas; mistura de alimentos crus (como ovos), potencialmente contaminados, com alimentos cozinhados; frigoríficos/arcas demasiado cheias e com temperaturas incorrectas; confecção de alimentos de véspera e descongelação incorrecta de alimentos”.

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