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Ejaculação prematura

31 Julho, 2009 0

Devido a esta “particularidade da natureza”, estão logo “as condições para haver uma disfunção conjugal”. Senão vejamos: “A ejaculação e o orgasmo masculinos são, normalmente, acompanhados por perda de erecção. Isto significa que, após a ejaculação, o acto sexual fica prejudicado.” Mas o problema agrava-se quando existe uma ejaculação prematura, já que esta disfunção sexual dita o prazo de validade da relação e provoca “um forte impacte na sexualidade feminina”, assegura.

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A mulher, hoje em dia, já não é o elemento passivo de uma relação, ao contrário de antigamente, lembra o especialista. “Classicamente, o homem não se importava muito com o prazer que oferecia à companheira. Agora, está a acontecer precisamente o oposto. A sexualidade feminina passou a estar no centro das preocupações do homem”. O parceiro já não pensa apenas para o prazer: “investe em preliminares mais prolongados, para que a excitação feminina comece antes da penetração”. Com esta técnica, há uma forte possibilidade de o orgasmo acontecer quase em simultâneo no homem e na mulher.

Embora elas já tenham voz activa, “curiosamente, eles passaram a viver (quase) obsessivamente em função do que julgam ser a sexualidade feminina”, afirma o urologista. E, em contraponto, as mulheres passaram a ser mais exigentes e a dar mais valor à quantidade e à qualidade do acto sexual, o que, de certa forma, trouxe à tona “inseguranças e, até, algumas disfunções masculinas”.

Um dado curioso, adianta, é o facto de, com o decorrer da idade, o homem tender a ter uma ejaculação cada vez mais retardada. Esta alteração fisiológica vai permitir que por vezes, na meia-idade, “o homem que sofria do distúrbio contrário passe a ter, pela primeira vez erecções prolongadas”. Mas, se para os ejaculadores prematuros isto é uma vantagem, para os restantes é o início de um problema.

“Alguns homens, ao chegarem aos 50, 60 ou 70 anos apresentam grande dificuldade em ejacular. Trata-se de uma questão igualmente perturbadora para o casal, dado que por vezes o homem persiste, fica quase desesperado por não conseguir ejacular e a mulher fica farta e cansada.”

 

O sexo está na cabeça?

Segundo o Prof. Rui Xavier Vieira, responsável pela Consulta de Sexologia no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, “a ejaculação primária (aquela que acompanha o homem ao longo da vida sexual) surge, normalmente, em pessoas ansiosas”. Mas será assim tão fácil determinar a fronteiro entre a ansiedade e a disfunção sexual? “É muito difícil distinguir entre o que surgiu antes e o que ocorreu depois”, responde o psiquiatra.

A incapacidade em controlar o momento da ejaculação não causa apenas um desconforto momentâneo. Os homens que sempre sofreram desta perturbação sexual demonstram ter “uma baixa auto-estima, uma antecipação negativa em relação à sexualidade e uma tristeza ligeira”, diz Rui Xavier Vieira. Estes receios, somados à ejaculação prematura, são motivo de “insatisfação sexual”.

Para o psiquiatra, a questão da ejaculação prematura só existe porque houve uma mudança de paradigma no modo como se “saboreia” a relação íntima. O sexo deixou de ter como fim último a reprodução, para passar a ser um meio de alcançar o prazer do casal. E, se para o homem, “ser rápido é normal” – já que o orgasmo masculino é alcançado até aos três primeiros minutos -, “a mulher tem um processo de excitação mais lento”.

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