Diabetes para a vida
Porque a diabetes do tipo 1 não se previne, nem se cura, o objectivo é mantê-la sob controlo. O que pode ser difícil quando o doente é uma criança: implica um esforço suplementar dos adultos, no sentido de a encorajarem a adoptar comportamentos saudáveis e a vigiar a doença.
Com o tempo, a criança aprende a medir a glicemia e a injectar a insulina. E aprende a viver com a doença. Sabendo que isso implica um compromisso para toda a vida. É esta a mensagem sublinhada todos os anos a 14 de Novembro, Dia Mundial da Diabetes.
Altos e baixos
Duas das complicações associadas à diabetes são a hipoglicemia e a hiperglicemia. Trata-se de desequilíbrios nos níveis de açúcar no sangue que importa avaliar e saber corrigir:
• Hipoglicemia – um sumo de fruta, um rebuçado de pasta dura ou outra fonte de glucose ajudam a corrigir os baixos níveis de glucose no sangue, elevando-os para valores normais.
• Hiperglicemia – pode ser necessário ajustar a alimentação ou a dose de insulina para fazer baixar a glicemia; se o nível de açúcar for demasiado elevado é conveniente levar a criança a uma urgência hospitalar.
Com a ajuda das farmácias
Desde 1998 que as farmácias estão envolvidas no Programa Nacional de Controlo da Diabetes, visando melhorar a acessibilidade dos diabéticos aos cuidados e produtos necessários para controlar a doença.
Nesse âmbito, a intervenção dos farmacêuticos passa pelo aconselhamento sobre a doença e a importância de mantê-la controlada vigiando os principais parâmetros clínicos, mas também pelo esclarecimento de dúvidas, nomeadamente quanto ao modo de tomar os medicamentos prescritos e quanto às alterações ao estilo de vida.
Na farmácia, os doentes podem ainda realizar os principais testes de monitorização da diabetes – glicemia (medição do açúcar no sangue), glicosúria (medição do açúcar na urina) e cetonúria (medição das acetonas no sangue e na urina).
O papel do farmacêutico passa ainda pela promoção da adesão à terapêutica e pelo encaminhamento, se necessário, para uma consulta médica.
Diabetes mellitus é o seu nome científico, um nome com sabor a mel, a evocar a ligação íntima ao açúcar que caracteriza esta doença. Mas apenas o nome é doce, porque a doença, se não controlada, pode ter consequências muito amargas.
Esta é uma doença do sistema endócrino, por envolver uma glândula – o pâncreas – e uma hormona – a insulina. O que está em causa é a forma como o organismo utiliza a glucose, açúcar produzido e armazenado pelo fígado mas também fornecido pelos alimentos e que constitui a principal fonte de energia do corpo humano.
Numa pessoa saudável, após cada refeição, o organismo decompõe os diversos nutrientes, que são absorvidos pelos intestinos e daí libertados para a corrente sanguínea. O que acontece com a glucose é que a sua entrada no organismo desencadeia a intervenção do pâncreas, fazendo-o fabricar insulina e lançá-la no sangue. É esta hormona que vai facilitar o acesso da glucose às células, funcionando como uma chave.

