Diabetes para a vida
O resultado de todo este esforço é a fadiga, outro dos sintomas comuns da doença. Mas há mais. A diabetes pode manifestar-se de uma forma mais subtil: a criança pode, por exemplo, voltar a molhar a cama durante o sono.
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Complicações à espreita
Reconhecer os sinais precoces da diabetes e iniciar o tratamento é fundamental para prevenir as complicações associadas à doença. Algumas são de curto prazo e requerem cuidados imediatos, sob pena de causarem convulsões e até perda de consciência.
É o que se verifica com a hipoglicemia: numa criança diabética, saltar uma refeição ou um esforço físico excessivo podem fazer descer os níveis de açúcar no sangue, originando sintomas como suores, tremores, fraqueza, fome, tonturas e náuseas.
Pode acontecer também o contrário – os níveis de açúcar subirem (hiperglicemia) porque a criança está doente ou comeu demais. Vontade acrescida de urinar, sede extrema, boca seca, visão nublada, fadiga e náuseas são os sintomas a vigiar.
Outra complicação possível é a acumulação de acetona no sangue: trata-se de um ácido tóxico produzido pelo organismo quando começa a utilizar a gordura armazenada para obter energia. Perda de apetite, náuseas, vómitos, febre, dores de estômago e um hálito com odor doce e frutado são sintomas desta condição.
A prazo são outros os riscos, envolvendo o coração e a rede de vasos sanguíneos, os nervos, os rins, os olhos, os pés, a pele e os ossos. Sem a diabetes controlada, os órgãos e tecidos vão sendo danificados progressivamente, mas as consequências podem ser incapacitantes ou até pôr em causa a própria vida.
No que respeita ao coração, podem surgir problemas cardiovasculares, nomeadamente doença arterial coronária (angina de peito), acidente vascular cerebral e aterosclerose.
Quanto aos nervos, as principais vítimas são os capilares que irrigam os nervos, cujas paredes vão sendo destruídas pela circulação de sangue com açúcar a mais. Os efeitos começam por se notar nos dedos dos pés e das mãos, com “formigueiro” e dormência, sensação de queimadura e dor. Sem tratamento, o resultado da neuropatia – assim se chama esta condição – pode ser a perda de sensibilidade.
Já nos rins o impacto da diabetes verifica-se na rede de capilares que funcionam como filtro dos resíduos tóxicos, com risco de insuficiência renal. E nos olhos são também afectados os capilares da retina (retinopatia diabética), podendo originar cegueira. A diabetes aumenta ainda a probabilidade de cataratas e glaucoma.
Particularmente vulneráveis são os pés, devido aos danos causados nos vasos sanguíneos: cortes e feridas podem abrir caminho a infecções sérias, causa frequente de amputação. As infecções espreitam igualmente a pele, que se torna mais susceptível à acção de fungos e bactérias.
Do mesmo modo os ossos vão sendo fragilizados, perdendo densidade e conduzindo, na idade adulta, a um risco acrescido de osteoporose.
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Dependentes de insulina
Estas não são complicações inevitáveis, mas sim consequências de uma diabetes não controlada. É que, seja numa criança, seja num adulto, a diabetes, embora não tenha cura, é tratável. E, no caso do tipo 1, o tratamento tem um ingrediente incontornável: a insulina, o único medicamento capaz de manter a glicemia (açúcar no sangue) em valores considerados saudáveis, ao permitir que a glucose penetre nas células e aí seja transformada em energia.

