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De olho na retina

14 Outubro, 2009 0

A retina, a membrana que nos olhos captura a luz, é uma das principais vítimas da diabetes. E a cegueira o maior risco da retinopatia diabética.

Dá pelo nome de retinopatia diabética e constitui uma das complicações da diabetes não controlada. Tudo se passa ao nível dos vasos capilares que abastecem a retina, a membrana existente na parte posterior dos olhos e que é responsável pela captura da luz e sua transmissão ao cérebro para interpretação como imagem. São muito sensíveis ao excesso de açúcar no sangue, sofrendo danos que, mais cedo ou mais tarde, interferem com a capacidade visual e que, no limite, podem conduzir à cegueira.

No início, pode até não haver sintomas visuais, mas progressivamente os sinais de que a visão está a ser afectada vão surgindo: o doente queixa-se de sombras ou manchas que lhe bloqueiam a visão, vê os objectos como se estivesse nevoeiro, tem dificuldade em ver à noite e em ajustar-se a diferentes graus de luminosidade.

A progressão da doença significa que os vasos sanguíneos que rodeiam a retina vão ficando cada vez mais debilitados, as suas paredes tornam-se propensas à deformação ao ponto de ocorrerem fugas de sangue.

É assim a retinopatia diabética, embora haja características específicas de cada um dos seus dois tipos: o não proliferativo e o proliferativo.

No primeiro caso – também designado por retinopatia de fundo – as paredes dos capilares vão enfraquecendo ao mesmo tempo que se formam pequenos sacos nos quais se depositam as proteínas do sangue.

São os microaneurismas, que acabam por se romper, deixando escapar sangue e outros fluidos para a retina. Em consequência, ocorrem distorções do campo visual.

Já na retinopatia proliferativa os danos na retina estimulam o crescimento de novos vasos sanguíneos, mas de uma forma anormal, na medida em que estes capilares podem crescer e sangrar dentro da cavidade vítrea. A visão fica seriamente afectada, com risco de descolamento da retina e de cegueira parcial ou total.

 

Um risco a prazo

Qualquer doente diabético – seja do tipo 1 ou insulinodependente, seja do tipo 2 – pode desenvolver uma retinopatia, com a probabilidade a ser directamente proporcional à duração da doença: é que as complicações visuais não costumam desenvolver-se até pelo menos dez anos depois do início da diabetes.

A probabilidade aumenta também nos doentes com a doença não controlada, ou seja, com valores de glicemia (açúcar no sangue) acima dos recomendados para a sua situação particular. Valores descompensados de tensão arterial e colesterol também pesam nesta balança, o mesmo acontecendo com a gravidez.

Na prática, pode dizer-se que o risco está sempre presente, mas a verdade é que pode ser minimizado. E consegue-se se o doente mantiver os valores de açúcar no sangue aos níveis considerados normais e se submeter a um exame visual anual. É que o facto de não apresentar queixas visuais não significa que os olhos não estejam ameaçados. Daí que a aposta deva ser na prevenção, de modo a detectar precocemente a retinopatia e evitar a perda de visão.

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