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Porque falha o coração?

9 Abril, 2008 0

O coração, como qualquer músculo do nosso corpo, também pode sucumbir ao cansaço. Não raro, fruto dos estilos de vida desadequados, as artérias podem ficar total ou parcialmente entupidas, o que limita o fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco. Esta situação obriga a um trabalho redobrado do coração, para fazer chegar o sangue a todo o organismo, provocando uma falência gradual deste órgão essencial à vida.

Hoje em dia, em resultado do desenvolvimento das sociedades, os hábitos de vida alteraram-se completamente. O andar a pé deu lugar às viagens de carro, as comidas caseiras foram substituídas pelo fast-food e o stresse surge como algo imperioso, numa altura em que tempo comanda os ritmos diários. Tudo em nome de um estilo de vida mais frenético. Por todos estes motivos, os números das doenças cardiovasculares engrossam por todo o mundo. Em Portugal, a patologia de foro cardiovascular é a causa número um de mortalidade, chegando mesmo a ultrapassar as doenças oncológicas. Mas, para se compreender este fenómeno, temos de perceber as suas causas. “Em circunstâncias normais, as artérias (vasos sanguíneos) apresenta paredes lisas, que permitem a livre passagem do sangue”, afirma a Dr.ª Quitéria Rato, cardiologista do Hospital de S. Bernardo, em Setúbal. Porém, com o decorrer dos anos, como consequência dos maus hábitos de vida, as artérias começam a ficar “sujas”, devido à acumulação de colesterol [gordura] que se deposita no interior das suas paredes, provocando o espessamento destes vasos. Resultado? “Se os níveis de colesterol no sangue forem elevados ou uma exposição permanente das artérias a outros factores de risco cardiovascular, essas placas podem aumentar e obstruir o fluxo sanguíneo, diminuindo o fornecimento de oxigénio aos tecidos”, explica a cardiologista. No leque de factores de risco modificáveis encontra-se o colesterol elevado, a hipertensão arterial, o tabagismo, a diabetes, a obesidade, o sedentarismo e o stresse. Contudo, como indica a especialista, existem “factores de risco que são independentes da vontade do indivíduo”, nomeadamente a idade, o sexo e os antecedentes familiares de doença cardiovascular. Perante uma exposição permanente aos diversos factores de risco, “as artérias são ‘agredidas’ de uma forma mais intensa, havendo uma formação acelerada de placas ateroscleróticas”. Neste sentido, a cardiologista diz que “é indiscutível uma abordagem global e precoce do risco cardiovascular”, de modo a conseguir um controlo eficaz dos factores de risco modificáveis, já que não existe a possibilidade de “alterar a herança genética”. Assim, como adianta, “é preciso investir na saúde, alterando comportamentos alimentares e estilos de vida, para, assim, ser possível colher bons frutos desse investimento no futuro”. Para isso, é necessário apostar precocemente em medidas preventivas, para que não se pague a factura mais tarde. Um dos primeiros passos para a adopção de uma vida mais saudável pode começar à mesa, já que uma alimentação desregrada e hipercalórica se constitui como um dos factores de risco com mais peso para as doenças cardiovasculares. Esta situação, conjugada com o sedentarismo e a inactividade física, pode potenciar o aparecimento de outros factores de risco, particularmente a hipertensão arterial (HTA), a obesidade, e diabetes mellitus e o colesterol elevado. Assim, para contrariar esta tendência em crescendo nas sociedades actuais, está preconizado que todos os indivíduos devem realizar, diariamente, uma actividade física, com uma duração mínima de 30 minutos. A par de todos estes factores de risco, encontra-se, ainda, o tabagismo. Segundo a cardiologista, os hábitos tabágicos “estão relacionados com cerca de 50% das causas de morte evitáveis, metade das quais devido à aterosclerose”. Estas estatísticas tornam-se ainda mais alarmantes se consideramos que quem fuma mais do que um maço por dia tem um risco quatro vezes superior de enfarte do que quem não fuma. O consumo de cinco cigarros por dia eleva em 40% este risco. Por esta razão, a cardiologista indica que “a cessação do tabagismo é, isoladamente, a medida preventiva mais importante para as doenças cardiovasculares”.

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