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Tratar o mal pela variz

10 Abril, 2008 0

São inestéticas, podem ser uma das causas de cansaço dos membros inferiores e, em situações mais graves, provocam dor e incapacidade. Fala-se, pois, das varizes. Aquelas veias dilatadas, de cor azulada, que atingem cerca de 1/3 da população portuguesa.

Pernas esbeltas. Quem as não quer? Mas, apesar de este ser um desejo comum ao sexo feminino, a verdade é que, segundo os últimos dados de um inquérito da Eurotest, realizado em 2001, estima-se que dois milhões de mulheres portuguesas, em idade adulta, convivam com as incómodas varizes à flor da pele. Afinal que problema é este que ameaça as pernas? “As varizes são dilatações das veias, causadas pela perda da sua elasticidade, Essas veias dilatadas deixam de ter a função de transportar o sangue venoso, e já usado, de volta ao coração. Desta forma, o sangue fica acumulado no seu interior”, diz o Dr. Eduardo Serra Brandão, director do Instituto de Recuperação Vascular (IRV), em Lisboa. À primeira vista, poder-se-ia dizer que estas veias salientes e tortuosas, desenhadas sobre a pele das pernas, não passariam de uma mera preocupação estética. Porém, as varizes, como explica o especialista em cirurgia vascular, “correspondem a uma fase de evolução de uma patologia mais complexa, que é a doença venosa. ”Com o passar dos anos, a compressão permanente das varizes, de dentro para fora, vai causar umas manchas acastanhadas, que só regridem após o respectivo tratamento vascular”, informa Eduardo Serra Brandão. Mas nem sempre a doença venosa se faz acompanhar de sinais observáveis. “A sensação de peso, cansaço, comichão e cãibras nocturnas, nos membros inferiores, são alguns indícios de que as veias estão as perder elasticidade e de que a circulação não se está a efectuar convenientemente. Esta situação favorece a estagnação do sangue venoso dentro das veias das pernas [daí a cor azulada das varizes] e, por conseguinte, a sua dilatação.” As mulheres são o alvo preferencial da insuficiência venosa, uma patologia que atinge cerca de 1/3 da população portuguesa, em idade laboral adulta. No entanto, o especialista ressalva que os homens também podem sofrer deste problema, embora em menor número. Contudo, “como o homem tem menos preocupações estéticas, usa calças, não faz depilação e, por outro lado, é mais avesso a tratamentos, deixa protelar a situação, chegando às consultas de cirurgia vascular numa fase tardia e avançada”.

Mulheres mais afectadas A doença venosa pode ter duas causas: genética ou adquirida. No primeiro caso, se já houver antecedentes familiares, a partir da puberdade – uma fase de explosão hormonal – as mulheres começam a sentir na pele os primeiros sinais de varizes. “Não existe um calendário pré-definido ou idade estabelecida para as varizes aparecerem”, aponta o especialista, esclarecendo que estas podem surgir logo a seguir à puberdade ou nos primeiros anos da idade adulta. As mulheres acumulam mais factores de risco do que o homem: a toma de anticoncepcionais, a gravidez e a realização de tarefas que obrigam a um maior tempo de permanência em pé, como passar a ferro e outras actividades domésticas, são razões que concorrem para o aparecimento ou agravamento das varizes no sexo feminino. O estado de gravidez desencadeia um conjunto de alterações hormonais – factor de dilatação ou inchaço das pernas –, que, conjugadas com o volume e pressão intra-abdominal, devido ao útero grávido, favorecem o aparecimento das incómodas veias dilatadas. Porém, como salienta Eduardo Serra Brandão, pode “tratar-se de uma situação temporária, que, em determinadas mulheres, regressa à normalidade no pós-parto”. Desta forma, o tratamento deve ser iniciado um a dois meses depois do parto e da cessação do aleitamento, uma vez que, “durante esse período, ainda se registam alterações hormonais que não possibilitam a regressão da doença”. O especialista explica, ainda, que existem outras situações que podem comprometer a saúde das pernas, nomeadamente a depilação com cera quente ou elevado tempo de exposição solar. “O calor despoleta o aparecimento ou agrava a situação. Mas, no caso das depilações a cera, há que ter em conta que o próprio arrancamento causa um traumatismo que pode lesar uma pequena variz.” Contrariamente ao que se possa pensar, as varizes são muito mais do que linhas “inchadas” sobre as pernas, que causam algum mal-estar estético. Estas fazem parte da doença venosa, uma patologia que começa por provocar alterações cutâneas, que se manifestam sob a forma de hiper-pigmentação: a pele começa a escurecer. “Essa pele, pouco oxigenada e alimentada, começa a tornar-se atrófica. Com a progressão da doença, ao longo de décadas, sem recurso a tratamento, aparecem as úlceras, que são a forma mais grave da última fase desta patologia. “Em última instância, “estas podem ser responsáveis por grande sofrimento e incapacidade.” Para evitar este tipo de situações extremas, o especialista recomenda um conjunto de medidas preventivas, que permitem minimizar ou estabilizar a doença venosa. Em primeiro lugar, aconselha a adopção de uma alimentação regrada e equilibrada e a prática de exercício físico. Segundo Eduardo Serra Brandão, estas medidas visam, sobretudo evitar a obesidade: um dos principais factores de risco das varizes. “Alguns alimentos têm uma acção negativa sobre a veia, concretamente as comidas altamente condimentadas e o abuso do álcool.” Para além destas medidas, está recomendado o uso de uma contenção elástica, que vai desde a meia ao collant de descanso. Para evitar as alterações cutâneas ou as flebites, o especialista recomenda “a toma de flebotropos: medicamentos com acção na parede dos vasos e na microcirculação”.

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