Porque falha o coração?
Mas, contrariamente ao que se julga, o coração não pára. Apenas deixa de funcionar na íntegra, porque parte do músculo deixa de funcionar. Para compensar a zona lesada, o coração é obrigado a trabalhar com mais intensidade, motivo pelo qual aumenta de volume e se dilata. Contudo, a especialista adianta que estas situações têm tratamento farmacológico que permitirão prolongar a vida do doente. Mas, sublinha, “os medicamentos não bastam, pelo que é necessário aprender novos hábitos de vida”. Cardiologia de intervenção Até há uns anos atrás, as lesões nas artérias coronárias eram tratadas com recurso ao by-pass. A possibilidade que havia era retirar fragmentos de uma veia da perna ou artérias do corpo e implantá-las na zona danificada. Actualmente, com o desenvolvimento da Cardiologia de intervenção, já é possível tratar os doentes com meios mais sofisticados. “Hoje em dia, com o tratamento farmacológica e mecânico abriu-se um novo caminho à intervenção percutânea das artérias. Através do uso de trombolíticos ou da angioplastia já é possível actuar, com maior rapidez, no campo da prevenção e tratamento do enfarte agudo do miocárdio”, salienta o Dr. Pedro Farto e Abreu, director da Unidade de Cardiologia de Intervenção do Hospital Fernando da Fonseca (Amadora/Sintra). Para minorar a extensão do enfarte agudo do miocárdio, que resulta da obstrução de uma artéria, pode-se optar pela administração de trombolíticos: fármacos que, em 70 a 80% dos casos, desentopem a artéria afectada, desfazendo o trombo que se forma no seu interior, de modo a retomar a normal circulação sanguínea. O especialista indica que existe, também, um procedimento mecânico: a angioplastia coronária. “Esta intervenção consiste na colocação de um introdutor na artéria femural [na virilha], através da qual é introduzido um cateter, que se desloca até à artéria afectada do coração. Através do cateter, introduz-se um fio guia e, por meio deste, vai ser colocado um balão com um stent”, continua a especialista. O stent, surgido há cerca de 20 anos, é uma pequena prótese, semelhante a mola de uma caneta, que se coloca no interior da artéria e restitui o diâmetro normal das mesmas. “O balão, quando está na zona da lesão, insufla, o stent sai e fica junto à artéria”, fundamenta Pedro Farto e Abreu. Após a aplicação desta técnica, retira-se o balão. O cardiologista explica que através deste mecanismo de intervenção, é “possível tratar milhões de doentes em todo o mundo de uma forma eficaz”. Doenças Cardiovasculares em números Segundo dados de 2005, nesse ano faleceram 107.839 portugueses, sendo que, do total de óbitos, 36.723 deveram-se a causa cardiovascular, o equivalente a 34%. De acordo com os dados obtidos, esta foi a primeira causa de mortalidade, ultrapassando as doenças oncológicas, com 22.724 mortes. Estas informações indicam que, em média, a cada 14 minutos, morre uma pessoa por causa cardiovascular. A maior parte dos óbitos por causa cardiovascular devem-se ao acidente vascular cerebral (15.668), seguido pelo enfarte agudo do miocárdio, com 8059 mortes. No mesmo período, registaram-se, ainda, 11.670 internamentos hospitalares, devido ao enfarte agudo do miocárdio.

