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Lombalgias: Carregar a dor às costas

6 Maio, 2010 0

As lombalgias “mecânicas” consistem em episódios de dor ligados ao funcionamento da própria coluna e estão associadas a 80%-85% dos casos. As estatísticas indicam que, pelo menos uma vez na vida, todos os seres humanos irão ter uma queixa na coluna vertebral. Que mal é este que ataca as costas sem dó nem piedade?

Uma dor aguda ou sensação de picadas nas costas são alguns dos primeiros sinais de alerta para um dos males que, cada vez mais, atinge as sociedades actuais: as lombalgias. Tipicamente conhecidas por dores nas costas, as lombalgias não atacam somente a região lombar. “Pode haver manifestações de dor que se estendem da parte dorsal ou lateral da perna até ao pequeno dedo dos pés”, explica Jan Cabri, professor associado convidado da Faculdade de Motricidade Humana (FMH).

As lombalgias “comuns” são, também, designadas por “mecânicas”. Estas consistem em episódios de dor ligados ao funcionamento da própria coluna e estão associadas a 80%-85% dos casos. Fora deste número ficam as lombalgias provocadas por uma doença sistémica ou grave. “A primeira missão de um profissional de saúde é detectar se as queixas são ou não derivadas de uma patologia primária”, completa.

Por norma, os episódios de dor aparecem e desaparecem sem aviso prévio. “O desenvolvimento deste problema musculoesquelético na região lombar é marcado por altos e baixos. O importante é saber qual a frequência da dor”, salienta. Segundo avança o especialista, “quanto mais cedo ocorrer o primeiro ataque, menor vão ser os intervalos de dor e maior a frequência durante a vida”.

E de onde vem esta dor à qual não se pode virar as costas? Já nos anos 90 se acendeu o debate sobre esta questão. Os especialistas tentaram descortinar as razões que empurravam milhares de pessoas para as urgências hospitalares.

“Hoje em dia, as razões estão relativamente claras. Sabe-se que as dores mecânicas nem sempre têm uma causalidade anatómica ou estrutural. 80% das lombalgias devem-se a razões psicossociais, nomeadamente o stresse ou a depressão.”

A pressão elevada, causada por uma posição estática ou pelo stresse, avoluma os episódios de dor. Mas, como refere o fisiologista, a primeira causa das lombalgias é a inactividade física. “Há dados que apontam a falta de exercício como o principal factor de risco. Um estudo de 1995 mostrou que os atletas de alta competição, 25 anos após a prática de exercício regular, tinham um risco inferior de lombalgias, comparativamente com a população sedentária.”

 

Postura incorrecta

Hoje em dia, estar sentado ao computador um dia inteiro é, praticamente, uma fatalidade. Os empregos assim obrigam e, por mais confortável que se esteja, a verdade é que acabamos por ter uma postura incorrecta.

Consequência: é exercida uma pressão mais elevada sobre a coluna e isso reflecte-se em episódios de dor no final de um dia de trabalho.

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“A legislação europeia, elaborada há 25 anos, diz claramente que, em cada 50 minutos, os trabalhadores que passam grande parte do tempo sentados em frente a um computador devem fazer uma pausa activa de 10 minutos.” Uma posição estática vai favorecer “a falta de tensão da cintura muscular” e, ao mínimo gesto, “pode haver um deslizamento de um dos segmentos da coluna”.

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