Lombalgias: Carregar a dor às costas
O absentismo, para além do abalo funcional do trabalhador, “provoca uma diminuição da produtividade da empresa e isso reflecte-se em termos sociais”. A factura que se paga pelas lombalgias “não se circunscreve apenas ao ambiente laboral”.
É, por isso, que o especialista insiste na ideia de que o investimento das empresas (uma hora de intervalo por dia) não é a fundo perdido. “Tem de haver uma aposta no capital humano, para seobter um retorno a longo prazo. Este é um ganho colectivo: das empresas e da sociedade.”
Ponto final na dor
Lombalgias (“algia” significa dor) dividem-se em três tipos, consoante a sua duração: aguda, sub-aguda e crónica. As primeiras são dores a nível lombo-sacral “com ou sem irradiação à perna e, em média, têm um duração de seis semanas. Quando a dor se arrasta no tempo, passam à fase de subagudas, com episódios que persistem entre seis a doze semanas. “A lombalgia aguda resolve-se em cerca de 90% dos casos e, por norma, fica sanada entre três semanas a três meses, consoante a intervenção.
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O problema radica nas lombalgias crónicas. Estas vão e voltam e o desafio está em retirar o doente do patamar da cronicidade. É, por isso, que envolve uma abordagem multidisciplinar nestes casos.”
Deste modo, Jan Cabri advoga que nas lombalgias o melhor mesmo é prevenir antes de remediar. “Nas fases iniciais e agudas, as intervenções são suaves. O erro está em ignorar este problema. Quantomais tempo passar, mais difícil se torna planificar uma intervenção eficaz.” No entanto, a recuperação não implica repouso absoluto. O segredo para sair da dor está em “realizar um plano de reabilitação progressivo que envolva movimento, mesmo que isso provoque algum desconforto”.
“Nas fases iniciais, profissional de saúde poderá prescrever um anti-inflamatório, que será coadjuvado por uma outra terapia escolhida pelo próprio doente: massagem, fisioterapia ou outras intervenções.
Embora seja um problema associado ao avanço da idade, o fisiologista diz que a melhor forma de nos livrarmos da dor das costas é “combater o sedentarismo e adoptar um estilo de vida mais activo”.
Como manter a postura certa?
> Evitar ficar na mesma posição por períodos de tempo prolongados;
> Não levantar ou erguer objectos com peso excessivo;
> Não realizar movimentos com muitas rotações, sob pena de enfraquecer algumas estruturas anatómicas;
> Quando possível, tentar realizar alguma ginástica laboral. Pequenos exercícios podem ajudar a livrar-se da sensação de peso nas costas.
Como é formada a coluna?
A coluna vertebral é formada por cinco vértebras lombares, doze dorsais e sete cervicais. Temos um bloco sacral, composto por cinco vértebras. Este bloco suporta todo o peso do corpo acima da coluna sacral.
O disco é um amortecedor entre duas vértebras; é composto por água (núcleo pulposo) e anéis; quando há uma força compressiva, não são os ossos que se mexem, mas é o disco que muda de tamanho.
O disco é constituído por anéis, com tecido colagénio, e tem vários níveis de orientação. O grande problema é quando estamos inclinados para a frente. Há forças que empurram este núcleo polposo (a parte mais líquida) para trás. O núcleo polposo vai sendo deslocado com a pressão e começam a quebrar alguns anéis, responsáveis pela retenção de líquido. Os primeiros a quebrar são os centrais.

