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Lombalgias: Carregar a dor às costas

6 Maio, 2010 0

Estes 10 minutos, continua, “podem dar alguma protecção à coluna”, isto porque, em posição sentada, “a pressão ao nível do disco é elevada”. O fisiologista diz mesmo que todos os seres humanos, no final de um dia, “medem cerca de 2 cm a menos”. É então à noite que o corpo se restabelece e os discos intervertebrais se enchem de água, de modo a ficarem mais densos e espessos.

“Durante o dia, devido à força da gravidade, vamos perdendo água nos discos, por nos mantermos na mesma posição. Os discos não aguentam pressões de baixo nível por tempo prolongado e vão perder espessura. Mas não é só por isso. Os discos para receberem nutrientes – uma vez que não são directamente irrigados pelas artérias – precisam do mecanismo de compressão e descompressão. No fundo, funcionam como uma esponja: quando há compressão, a água sai; quando há descompressão, os novos nutrientes são aspirados pelo disco.”

Para além de uma postura incorrecta, Jan Cabri afirma que o stresse também produz um impacto negativo sobre a coluna. “Este estado de ansiedade vai provocar uma tensão muscular, o que, por sua vez, produz uma força de compressão na coluna vertebral.

Apesar de haver uma componente estrutural, arrisco em dizer que 80% das situações das dores nas costas acontecem entre “as orelhas”, ou seja, devem-se a factores psicológicos.” As lombalgias são consideradas a primeira causa de absentismo e gasto em saúde nos países desenvolvidos.

Só nos Estados Unidos da América consomem uma fatia de 50 mil milhões de dólares por ano. “Os custos em saúde são apenas uma fracção dos gastos totais”, realça o fisiologista.

O absentismo, para além do abalo funcional do trabalhador, “provoca uma diminuição da produtividade da empresa e isso reflecte-se em termos sociais”. A factura que se paga pelas lombalgias “não se circunscreve apenas ao ambiente laboral”.

É, por isso, que o especialista insiste na ideia de que o investimento das empresas (uma hora de intervalo por dia) não é a fundo perdido. “Tem de haver uma aposta no capital humano, para seobter um retorno a longo prazo. Este é um ganho colectivo: das empresas e da sociedade.”

 

Ponto final na dor

Lombalgias (“algia” significa dor) dividem-se em três tipos, consoante a sua duração: aguda, sub-aguda e crónica. As primeiras são dores a nível lombo-sacral “com ou sem irradiação à perna e, em média, têm um duração de seis semanas. Quando a dor se arrasta no tempo, passam à fase de subagudas, com episódios que persistem entre seis a doze semanas. “A lombalgia aguda resolve-se em cerca de 90% dos casos e, por norma, fica sanada entre três semanas a três meses, consoante a intervenção.

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O problema radica nas lombalgias crónicas. Estas vão e voltam e o desafio está em retirar o doente do patamar da cronicidade. É, por isso, que envolve uma abordagem multidisciplinar nestes casos.”

Deste modo, Jan Cabri advoga que nas lombalgias o melhor mesmo é prevenir antes de remediar. “Nas fases iniciais e agudas, as intervenções são suaves. O erro está em ignorar este problema. Quantomais tempo passar, mais difícil se torna planificar uma intervenção eficaz.” No entanto, a recuperação não implica repouso absoluto. O segredo para sair da dor está em “realizar um plano de reabilitação progressivo que envolva movimento, mesmo que isso provoque algum desconforto”.

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