Fígado sofre!
O fígado é um órgão complexo mas também frágil: sofre com as agressões da alimentação, do álcool e até de medicamentos. São muitas as doenças hepáticas, muitas também as que se previnem.
É o maior órgão sólido do corpo humano. E é um dos mais complexos. Situado no lado superior direito do abdómen, o fígado funciona como uma verdadeira fábrica. É um órgão resistente, com uma extraordinária capacidade de regeneração, mas não é imune a todas as agressões.
Desempenha funções vitais como o processamento da maioria dos nutrientes absorvidos pelos intestinos e elimina as substâncias tóxicas do sangue. É também no fígado que o excesso de glicose é armazenado sob a forma de glicogénios, regulando os níveis de aminoácidos (constituintes das proteínas) no sangue e de gordura. Produz, além disso, quase metade do colesterol que circula pelo organismo (o restante é fornecido pela alimentação), bem como as substâncias que intervêm na coagulação do sangue durante uma hemorragia. Também a bílis é produzida pelo fígado – trata-se de um fluido que contém água, químicos e ácidos e que é armazenado na vesícula, uma pequena bolsa em forma de pêra, unida ao fígado pelos canais biliares. Quando os alimentos entram no intestino, a bílis é libertada de modo a ajudar à digestão das gorduras.
É precisamente por ser responsável por tantas funções críticas que o fígado é vulnerável. Quando sofre danos, essas funções ficam ameaçadas, o que pode, em última instância, pôr em risco a sobrevivência.
Uma das principais ameaças à saúde hepática provém dos hábitos de vida, nomeadamente da alimentação e do consumo de bebidas alcoólicas.
Uma das situações é a chamada doença do fígado gordo. Existe acumulação de gordura nas células do fígado (principalmente triglicéridos), mas que é considerada benigna. É das situações hepáticas mais frequentes. A causa exacta é desconhecida, embora se sugira que o primeiro passo é a resistência à insulina, estando muitas vezes ligada à obesidade. Consideram-se como outros factores de risco a diabetes e níveis elevados de colesterol e triglicéridos. Num pequeno número de casos pode evoluir para uma situação em que existe inflamação hepática (hepatite), mas esta evolução ainda não é bem compreendida.
O excesso de gorduras é prejudicial a outros órgãos, nomeadamente os do aparelho cardiovascular: quando se acumulam nas artérias, podem contribuir para o seu entupimento, dificultando a passagem de sangue – com o tempo, formam-se as placas típicas da aterosclerose.
Quanto ao álcool é mesmo considerado a principal causa de doença hepática. O álcool é tóxico para as células hepáticas, contribuindo para a sua destruição e, a prazo, para um deficiente funcionamento do fígado. Hepatite alcoólica e cirrose são duas doenças associadas ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas.
O fígado é ainda vítima frequente de vírus – é essa a causa das diversas hepatites. As hepatites A e E (esta rara na Europa Ocidental) são causadas pela ingestão de alimentos ou água contaminados infectados, enquanto a B, a C e a D se transmitem através da exposição a fluidos corporais infectados (sangue e secreções sexuais). Para a A e B existe vacina, para as restantes não.

