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Batalha contra o cancro da mama

14 Outubro, 2008 0

Sabe-se que 5% dos carcinomas são de origem familiar, o que obriga a uma vigilância clínica redobrada. “Há uma variação genética que influencia o aparecimento de cancro da mama entre familiares directos”, explica o especialista. De fora, fica uma percentagem de 95%, à qual “ainda não se consegue imputar uma causa específica”. Suspeita-se, contudo, que exista um conjunto de factores que explicam o maior risco de vir a ter um cancro da mama. “Com a primeira menstruação cada vez mais cedo e a entrada na menopausa cada vez mais tarde, houve um alargamento da janela hormonal, o que se traduz numa ‘agressão biológica’ mais prolongada.”

Quer isto dizer que a mama, estando preparada para “dar leite”, tem um ciclo de produção e de limpeza, que se repete todos os meses. Se a diferença entre a primeira menstruação e a menopausa for maior, a somar à idade tardia do primeiro filho ou à nuliparidade (mulher não ter filhos), “a ‘agressão’ da glândula mamária vai sendo maior”.

Por não se conhecerem ao certo os factores de risco que conduzem ao cancro, o especialista frisa que a cura está à distância do diagnóstico precoce. Em 1986, foram implementados, pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, os primeiros programas de rastreio em Portugal. “Os rastreios são realizados em estreita colaboração com os cuidados de saúde primários e cobre toda a região Centro e, ainda, alguns distritos do Sul e Norte”, informa Maria João Cardoso.

Este programa “utiliza unidades móveis e fixas, que se deslocam aos concelhos de dois em dois anos, enviando convites a mulheres dos 45 aos 69 anos, inscritas nos centros de saúde, para realizar a mamografia”, adianta a especialista. “Os exames”, continua, “são, posteriormente, estudados por radiologistas e, em caso de suspeita, a mulher é chamada para uma consulta de aferição.

“Para caracterizar melhor as imagens, a mamografia poderá ser complementada com a ecografia“, indica Ondina Campos. Havendo suspeição das imagens obtidas, é realizada, ainda, uma biopsia. “Trata-se de um procedimento, em que se retira uma amostra de tecido da zona da mama a estudar, para se ter uma confirmação do diagnóstico”, conclui Maria João Cardoso.

Contra o cancro, tratar e investigar

Na década de 70 do século passado, depois dos avanços registados na radioterapia, a mastectomia radical (excisão completa da mama, com esvaziamento axilar completo) foi sendo, gradualmente, substituída por outras práticas cirúrgicas. Investigadores europeus e americanos iniciavam os testes da remoção parcial do tumor localizado. Foi o início de um tratamento baptizado por “cirurgia conservadora”. E porquê este nome? “Este procedimento mantém o máximo de tecido da mama, retirando apenas o que está afectado pelas células malignas. É uma forma de evitar uma maior ‘mutilação‘, mantendo a máxima funcionalidade e o efeito estético”, explica o Dr. João Moura Pereira, presidente da Sociedade Portuguesa de Senologia (SPS).

Contrariamente ao que acontecia há 100 anos, os tratamentos actuais tentam poupar os tecidos em torno do local afectado, nomeadamente a axila. Ainda assim, por uma questão de salvaguarda, “faz-se o estudo dos gânglios-sentinela”. Esta análise permite descobrir quais os gânglios afectados, “limpando a zona invadida e evitando o esvaziamento axilar completo”. Mas, mediante os casos, não basta, apenas, escolher o tipo de cirurgia. Há, ainda, que criar condições que melhorem o sucesso da intervenção.

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