Batalha contra o cancro da mama - Página 4 de 8 - Médicos de Portugal

A carregar...

Batalha contra o cancro da mama

14 Outubro, 2008 0

Contrariamente ao que acontecia há 100 anos, os tratamentos actuais tentam poupar os tecidos em torno do local afectado, nomeadamente a axila. Ainda assim, por uma questão de salvaguarda, “faz-se o estudo dos gânglios-sentinela”. Esta análise permite descobrir quais os gânglios afectados, “limpando a zona invadida e evitando o esvaziamento axilar completo”. Mas, mediante os casos, não basta, apenas, escolher o tipo de cirurgia. Há, ainda, que criar condições que melhorem o sucesso da intervenção.

Paralelamente à cirurgia, o especialista diz que “nas situações localmente avançadas, em que se pretende um regressão parcial do tumor, pode-se optar por terapêuticas neoadjuvantes”. Fala-se, pois, da quimioterapia ou radioterapia, dois tratamentos que podem ser realizados antes e depois da operação. “Com estes procedimentos, a mama fica em melhores cirúrgicas, permitindo, em caso de resposta ao tratamento, uma intervenção mais conservadora.”

 

Os trilhos da investigação

A evolução dos tratamentos pós-cirúrgicos tem vindo a ser complementada, nos últimos anos, pelo aperfeiçoamento das técnicas de imagiologia, particularmente a mamografia digital e a ressonância magnética. “Estes exames têm contribuído, sobremaneira, para a detecção de lesões mais pequenas e em fases mais iniciais, susceptíveis de serem tratadas por cirurgia, antes de serem agressivas para a mulher”, destaca o Prof. Carlos Lopes, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

A investigação tem também caminhado no sentido de encontrar terapêuticas mais dirigidas às células tumorais. Desde há 10 anos, estão disponíveis medicamentos que exercem uma acção selectiva sobre determinadas proteínas. São as chamadas terapêuticas-alvo: “medicamentos capazes de inibir determinadas proteínas estruturais (do tipo dos receptores de membrana, por exemplo), responsáveis pelo crescimento tumoral”. Ao exercerem esta acção, confirma o especialista, “estes medicamentos rompem o ciclo vicioso da célula maligna”. Assim, interrompido o circuito, “a célula estagna e acaba por morrer”.

Mas, apesar destes recentes avanços, Carlos Lopes aponta alguns desafios no tratamento do cancro da mama: “O que se pretende agora é identificar o maior número de genes alterados nas diferentes fases de desenvolvimento do cancro da mama, de maneira a neutralizar a acção das oncoproteinas daí resultantes. Assim, ser poderá desenvolver um tratamento mais personalizado e especificamente dirigido.” Em fase experimental, encontra-se, neste momento, o estudo de um esquema de “vacinas”, “capazes de “estimular a produção de anticorpos monoclonais que neutralizem a acção e combatam a libertação das proteínas anómalas”. O especialista ressalva, porém, que os resultados só estarão disponíveis no prazo de 10 anos.

“Importa, contudo, realçar que as células neoplásicas têm vida, isto é, têm capacidade biológica de se adaptarem às condições ‘adversas’ que lhes criemos e encontrar novos caminhos de progressão. Por isso, as novas formas de tratamento devem ser sempre encaradas como complementares e não como alternativa ao tratamento convencional que engloba acções de cirurgia, radioterapia, quimioterapia e hormonoterapia.”

 

ONDE PROCURAR AJUDA

Laço
http://www.laco.pt/

Movimento Vencer e Viver
Funciona no Pavilhão da Liga Portuguesa contra o Cancro – Núcleo Regional do Sul
Tel.: 217 265 786
E-mail: vencerviver@dpp.pt

APAMCM: Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama
Av. Marechal Craveiro Lopes, nº 1 (Colégio das Doroteias), Lisboa
Tel.: 217 568 911; 217 585 648
E-mail: info@apamcm.org; estrutura.formacao@apamcm.org

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8

ÁREA RESERVADA

|

Destina-se aos profissionais de saúde

Informações de Saúde

Siga-nos

Copyright 2017 Médicos de Portugal por digital connection. Todos os direitos reservados.