Batalha contra o cancro da mama - Página 6 de 8 - Médicos de Portugal

A carregar...

Batalha contra o cancro da mama

14 Outubro, 2008 0

A vida continua

Teresa Nunes, 45 anos, sentia-se uma mulher perfeitamente saudável. “Não havia desconfiança de nada”, recorda. Mas uma mamografia de rotina, que fez em Outubro de 2001, veio acusar o contrário. “O exame mostrou uma massa estranha, com contornos irregulares. Os médicos pediram novos exames, por haver uma desconfiança.”

No dia 15 de Novembro, foi-lhe comunicado o diagnóstico: cancro da mama. “Passei de uma pessoa saudável a muito doente. Tive uma sensação de estranheza, porque me sentia fisicamente bem, mas os exames diziam que eu tinha cancro”, lembra. Não tinha gânglios da axila afectados, mas, por uma questão de localização do carcinoma, aconselharam-na a submeter-se a uma mastectomia: a extracção completa do seio. “Não questionei o cancro ou a decisão dos médicos, porque a minha maior vontade era vencer e continuar viva”, realça.

Depois da cirurgia, seguiram-se os tratamentos de quimioterapia e radioterapia. Apesar da agressividade destas terapêuticas, Teresa Nunes, consultora se seguros, diz que teve “sorte” com os efeitos secundários. “Sofri apenas a queda de cabelo”. Ironiza, no entanto, com esta situação, dizendo que esta foi a fase em que mais investiu em roupa, lenços e chapéus.

No pós-operatório, a reconstrução da mama, hoje em dia, pode ser quase imediata. No caso de Amélia Aldeia, no dia da cirurgia foi-lhe colocado “o expansor: um aparelho que, ao encher-se de soro, vai criando a caixa da mama”. Teresa Nunes aguardou um ano, após as 25 sessões de radioterapia, para que a cirurgia de reconstrução lhe devolvesse de novo o seio.

A consultora de seguros, tal como Amélia Aldeia, nunca parou de trabalhar, mesmo na fase dos tratamentos. Ambas são unânimes em afirmar que o facto de estarem ocupadas favoreceu a recuperação. “Nunca quis meter a cabeça na areia e esconder-me deste problema”, sublinha Amélia Aldeia, reiterando: “A partir do momento em que passei por esta experiência de cancro, comecei a dar mais valor à vida.”

Já Teresa Nunes diz que deste duelo contra o cancro reteve uma lição: “Não há como prevenir a morte, mas há forma de prevenir a morte antecipada”. A consultora de seguros reforça a ideia de que não vale a pena encobrir a doença, nem ter medo. “Este sentimento afunda-nos.” Por isso, sugere que todas as mulheres olhem por si e pelo seu corpo, fazendo o rastreio regularmente.

Embora o cancro da mama seja o tumor mais frequente no sexo feminino, é, porém, o carcinoma com maior taxa de sobrevivência, se for detectado em estádios prematuros. “Quando descobrimos uma lesão pré-maligna no rastreio (carcinoma in situ), a cura é de 100%”, explica a Prof.ª Maria João Cardoso, coordenadora do Grupo de Patologia Mamária do Hospital de S. João, no Porto.

Primeiro passo: rastreio precoce

Só em Portugal aparecem cerca de 4500 novos casos de cancro por ano, um número que, apesar de estar aquém do registado na vizinha Espanha (16 mil novos casos, anualmente), não deixa de ser preocupante. Haverá uma verdadeira causa para estes tumores? Segundo o Prof. Vítor Rodrigues, Professor de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina de Coimbra, “a ciência ainda não encontrou uma relação directa de causa/efeito” para a esmagadora maioria dos cancros da mama.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8

ÁREA RESERVADA

|

Destina-se aos profissionais de saúde

Informações de Saúde

Siga-nos

Copyright 2017 Médicos de Portugal por digital connection. Todos os direitos reservados.