Batalha contra o cancro da mama - Página 5 de 8 - Médicos de Portugal

A carregar...

Batalha contra o cancro da mama

14 Outubro, 2008 0

Fórum Europa Donna
Liga Portuguesa Contra o Cancro
Av. Columbano Bordalo Pinheiro, n.º57 F, Lisboa
Tel.: 217 221 810

Aos 39 anos, Amélia Aldeia foi surpreendida por um nódulo na mama direita. “De um momento para o outro, detectei algo de anormal, quando estava a tomar banho”, diz. Como tinha uma consulta de rotina marcada, aproveitou a altura para expor as dúvidas à médica. Ao realizar a mamografia – uma das técnicas de detecção de anomalias no tecido mamário – foi-lhe dito que deveria “ser controlada anualmente”. Mas, por descargo de consciência, decidiu levar os exames ao centro de saúde. A médica de família, depois de ver os resultados da mamografia, aconselhou-a a dirigir-se a uma consulta da mama, já que o nódulo apresentava uma dimensão de 3,5 cm.

No hospital de Santa Maria realizou uma nova mamografia e a suspeita de cancro começava a desenhar-se. Dias mais tarde, a biopsia confirma o diagnóstico: cancro da mama. Esta notícia, recebida no dia 6 de Dezembro de 2002, é acompanhada por uma outra informação por parte da médica: “Vai ter de fazer uma mastectomia, pois já tem nódulos na axila“. Perante o choque do momento, Amélia Aldeia ficou “anestesiada”. Mas, sem baixar as armas, decidiu seguir em frente e não esmoreceu.

“Eu aceitei a cirurgia, porque a única coisa que queria naquele momento era tirar o cancro dentro de mim, mesmo que, para isso, tivesse de extrair a mama.” Amélia Aldeia sente que, apesar de tudo, teve “sorte”, porque o cancro foi detectado a tempo. “Clinicamente”, assegura a Dr.ª Ondina Campos, chefe de serviço de Ginecologia aposentada do Centro Hospitalar de Coimbra, “podem-se encontrar nódulos através da palpação, embora a mamografia, o exame de rastreio por excelência, seja aquele que nos permite detectar precocemente qualquer alteração”.

“Está preconizado que as mulheres devem realizar mamografias periódicas a partir dos 40 anos de idade“, acrescenta. Mas, caso haja factores de risco familiares, deve-se iniciar mais cedo, por volta dos 35 anos, com exames regulares de dois em dois anos.” Para a especialista, a mamografia “é o método que garante um maior sucesso terapêutico”, já que “a detecção precoce” é a palavra de ordem na luta contra o cancro.

A Prof.ª Maria João Cardoso, coordenadora do Grupo de Patologia Mamária do Hospital de S. João, no Porto, explica, ainda, que “a maior parte dos nódulos na mama não são malignos: mais de 80% têm uma origem benigna”. Um nódulo “que não dói, duro e irregular é, mais provavelmente, maligno“, refere. Embora a dor seja um sintoma em meio por cento dos tumores, Ondina Campos diz que, raramente, surge como primeiro sinal. “O mais frequente é o aparecimento de uma massa palpável (caroço) no peito”. No entanto, ambas as especialistas são peremptórias em afirmar que, após suspeita ou alteração do tecido mamário, as mulheres não devem hesitar em procurar o médico assistente e, em caso de dúvida, um profissional com experiência nesta patologia.

Amélia Aldeia, hoje com 46 anos, diz que o diagnóstico precoce lhe salvou a vida. Depois da luta contra o cancro, integrou o movimento Vencer e Viver, ajudando outras mulheres que, como ela, se virão a braços com um carcinoma da mama. Fala com conhecimento de causa, o que legitima os seus conselhos: “Façam a palpação antes e depois da menstruação, vão a consultas regulares e não guardem as mamografias dentro da gaveta.”

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8

ÁREA RESERVADA

|

Destina-se aos profissionais de saúde

Informações de Saúde

Siga-nos

Copyright 2017 Médicos de Portugal por digital connection. Todos os direitos reservados.