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Cirurgia Coronária sem circulação extracorporal

15 Outubro, 2008 0

A Doença Coronária é altamente prevalente na nossa população e é responsável pela maioria das mortes de causa cardíaca a par dos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC).
Manifesta-se pincipalmente de duas maneiras: angina de peito (angor) ou Enfarte Agudo do Miocárdio.

O seu tratamento passa por correcção dos factores de risco da aterosclerose (hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, obesidade, colesterol alto, sedentarismo), tratamento médico com antiagregantes plaquetários, vasodilatadores coronários e outros e depois por formas mais invasivas como a angipplastia coronária com ou sem “stents” e a cirurgia de revascularização do miocárdio (“By-Pass” Aorto-Coronário).

A cirurgia de revascularização do miocárdio, é a operação mais estudada da história da Medicina e a que mais vidas salvou depois da cirurgia da apendicite aguda.

Durante anos (desde os anos 70) que foi evoluindo em número de operações e em resultados, transformando-se numa intervenção cirúrgica com um risco relativamente baixo e com complicações e mortalidade também reduzidas.

Ficava como problema o facto de ser necessário o uso de circulação extracorporal (máquina coração-pulmão) para a sua realização e os inconvenientes a ela associados (hemorragia, complicações neurológicas, perturbações neurocognitivas, entre outras).

O aparecimento da cirurgia sem CEC (circulação extracorpora), vieram reduzir estas complicações, mantendo os bons resultados a curto e médio prazo.

A técnica é usada hoje na maioria dos Serviços de Cirurgia Cardiotorácica e permite reduzir a taxa de complicações e dar oportunidade de uma terapêutica cirúrgica a doentes de alto risco para a CEC.

Parece ainda que está associada a uma redução de custos de cerca de 20% e a uma mais rápida recuperação pós-operatória, especialmente das funções intelectuais.

Esta é uma nova técnica cirúrgica que em centros de elevada casuística veio melhorar o tratamento cirúrgico dos doentes com doença coronária, necessitando terapêutica cirúrgica.

O uso de artérias mamárias internas e radial (em alternativa a veias) e a tentativa de não usar a aorta como local de anastomose proximal (fonte de sangue para o “by-pass”), também reduziu a taxa de eventos neurológicos e vai melhorar a permeabilidade e duração das pontagens (“by-pass”) a longo prazo.

A cirurgia coronária sem CEC constitui um avanço significativo no tratamento cirúrgico da Doença Coronária, mantendo os bons resultados da operação clássica e diminuindo os riscos associados à circulação extracorporal.

Dr. Ângelo Lucas Nobre,
Assistente Hospitalar Graduado de Cirurgia Cardiotorácica
Hospital de Santa Maria
Instituto Cardiovascular de Lisboa

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