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Batalha contra o cancro da mama

14 Outubro, 2008 0

Primeiro passo: rastreio precoce

Só em Portugal aparecem cerca de 4500 novos casos de cancro por ano, um número que, apesar de estar aquém do registado na vizinha Espanha (16 mil novos casos, anualmente), não deixa de ser preocupante. Haverá uma verdadeira causa para estes tumores? Segundo o Prof. Vítor Rodrigues, Professor de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina de Coimbra, “a ciência ainda não encontrou uma relação directa de causa/efeito” para a esmagadora maioria dos cancros da mama.

Sabe-se que 5% dos carcinomas são de origem familiar, o que obriga a uma vigilância clínica redobrada. “Há uma variação genética que influencia o aparecimento de cancro da mama entre familiares directos”, explica o especialista. De fora, fica uma percentagem de 95%, à qual “ainda não se consegue imputar uma causa específica”. Suspeita-se, contudo, que exista um conjunto de factores que explicam o maior risco de vir a ter um cancro da mama. “Com a primeira menstruação cada vez mais cedo e a entrada na menopausa cada vez mais tarde, houve um alargamento da janela hormonal, o que se traduz numa ‘agressão biológica’ mais prolongada.”

Quer isto dizer que a mama, estando preparada para “dar leite”, tem um ciclo de produção e de limpeza, que se repete todos os meses. Se a diferença entre a primeira menstruação e a menopausa for maior, a somar à idade tardia do primeiro filho ou à nuliparidade (mulher não ter filhos), “a ‘agressão’ da glândula mamária vai sendo maior”.

Por não se conhecerem ao certo os factores de risco que conduzem ao cancro, o especialista frisa que a cura está à distância do diagnóstico precoce. Em 1986, foram implementados, pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, os primeiros programas de rastreio em Portugal. “Os rastreios são realizados em estreita colaboração com os cuidados de saúde primários e cobre toda a região Centro e, ainda, alguns distritos do Sul e Norte”, informa Maria João Cardoso.

Este programa “utiliza unidades móveis e fixas, que se deslocam aos concelhos de dois em dois anos, enviando convites a mulheres dos 45 aos 69 anos, inscritas nos centros de saúde, para realizar a mamografia”, adianta a especialista. “Os exames”, continua, “são, posteriormente, estudados por radiologistas e, em caso de suspeita, a mulher é chamada para uma consulta de aferição.

“Para caracterizar melhor as imagens, a mamografia poderá ser complementada com a ecografia”, indica Ondina Campos. Havendo suspeição das imagens obtidas, é realizada, ainda, uma biopsia. “Trata-se de um procedimento, em que se retira uma amostra de tecido da zona da mama a estudar, para se ter uma confirmação do diagnóstico”, conclui Maria João Cardoso.

Contra o cancro, tratar e investigar

Na década de 70 do século passado, depois dos avanços registados na radioterapia, a mastectomia radical (excisão completa da mama, com esvaziamento axilar completo) foi sendo, gradualmente, substituída por outras práticas cirúrgicas. Investigadores europeus e americanos iniciavam os testes da remoção parcial do tumor localizado. Foi o início de um tratamento baptizado por “cirurgia conservadora”. E porquê este nome? “Este procedimento mantém o máximo de tecido da mama, retirando apenas o que está afectado pelas células malignas. É uma forma de evitar uma maior ‘mutilação’, mantendo a máxima funcionalidade e o efeito estético”, explica o Dr. João Moura Pereira, presidente da Sociedade Portuguesa de Senologia (SPS).

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