Nascimento seguro, dor controlada - Médicos de Portugal

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Nascimento seguro, dor controlada

31 Outubro, 2011 0

É comum e frequente que as futuras mães manifestem alguns medos relacionados com a epidural ou outras técnicas anestésicas no momento do parto. Para desmistificar algumas das questões que inquietam as parturientes, entrevistámos três especialistas na área. Viva a maternidade em pleno sem inquietações e receios.

Como será o parto? Será que vou sofrer muito? Será parto natural ou cesariana? E a epidural? Há tantas histórias sobre os riscos desta analgesia… Os mitos existem, os medos aumentam e para as gestantes, o mistério do parto vai sendo acompanhado de ansiedade e muitas dúvidas que acompanham este momento que deveria ser somente tranquilo e especial.

“As parturientes são o agente central do parto. Tudo o que lhes for proporcionado só faz sentido se simultaneamente for enquadrado na sua história de vida. A epidural é apenas um partícula desse percurso. A mulher deve ser esclarecida sobre os benefícios e riscos e decidir livremente”, começa por dizer-nos o Dr. Costa Martins, director do serviço de Anestesiologia da Maternidade Dr. Alfredo da Costa (MAC). É importante que a informação a dar às parturientes seja rigorosa, capaz de elucidar “e de remover todas as contaminações que uma literatura e/ou opinião menos científica possam induzir”. Durante toda a gravidez, nas aulas de preparação para o parto – como acontece por exemplo na MAC – o contacto aberto e esclarecedor com as grávidas e o anestesiologista é essencial.

Nos últimos tempos, tem-se assistido à progressiva tendência de “diminuir a medicalização”, ou seja, “assegurar um bom nível de analgesia no parto assegurando simultaneamente uma menor interferência na dinâmica uterina. O ideal será, no futuro, termos as parturientes a controlar a sua dor e a deambular durante o trabalho de parto”, adianta o especialista.

 

Técnicas anestésicas no parto

Ao contrário do que muitas mulheres pensam, o anestesiologista é um dos médicos que acompanham o parto. “A analgesia é fundamental, mas é de relevar que os anestesiologistas estão sempre implicados nas decisões mais críticas. Este é um papel central. Tal relevância consubstancia-se, aliás, numa diferenciação técnica e humana, razão pela qual, por todo o mundo civilizado os anestesiologistas dedicados a esta área formam um corpo próprio, habitualmente organizado institucionalmente e que constitui um fórum de conhecimento e discussão permanentes”, adianta Costa Martins.

As mulheres devem ir para o parto “livres de preocupações. A mulher vai ter um filho, nós estamos lá para a acompanhar”. Há que encarar este processo com esta mesma simplicidade.

As técnicas anestésicas têm indicações e contra-indicações absolutas e relativas, tanto no parto, como em qualquer intervenção. Por esse motivo, “os procedimentos são programados e as grávidas receberão as respectivas indicações preparatórias”, salienta Costa Martins. Os médicos que acompanham o parto, um momento de intensa implicação emocional, “têm de proporcionar as melhores condições para o nascimento e estarem atentos perante os desvios do percurso fisiológico”.

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Anestesia e analgesia

Estamos perante dois conceitos diferentes. Para os esclarecer, pedimos ajuda à Dr.ª Filipa Lança, assistente hospitalar de Anestesiologia e sub-coordenadora da Anestesia Obstétrica do Centro Hospitalar De Lisboa Norte, Hospital de Santa Maria, EPE. “Quando falamos em anestesia referimo-nos à abolição completa de qualquer sensação táctil ou dolorosa, acompanhada de mais ou menos bloqueio motor, o que provocamos quando a grávida vai ser submetida, por exemplo, a uma cesariana”, esclarece a especialista. Na analgesia, “a abolição das sensações é parcial (desaparece primeiro a dolorosa) e não há geralmente bloqueio motor: é o que acontece na analgesia do trabalho de parto”, acrescenta.

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