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Nascimento seguro, dor controlada

31 Outubro, 2011 0

Quer para a realização de uma anestesia loco-regional (leigamente designada por anestesia “da cintura para baixo”), quer de uma analgesia loco-regional, os anestesiologistas dispõem de várias técnicas diferentes. “As mais usadas em Obstetrícia são a epidural (a mais conhecida), o bloqueio subaracnoideu (vulgo raqui) e a técnica sequencial (uma mistura das duas anteriores) “, explica Filipa Lança. Podem ainda ser utilizados fármacos endovenosos, que se administram através do soro, e que atenuam com alguma eficácia, a dor durante o trabalho de parto.

Tal como afirma Costa Martins, também Filipa Lança concorda com o total e absoluto esclarecimento às grávidas. Por esse motivo, “todas as terças-feiras, no hospital de Santa Maria, existe uma sessão de esclarecimento sobre a analgesia do trabalho de parto e as opções anestésicas para uma cesariana, para as grávidas e seus acompanhantes, com informação detalhada e imagens”.

 

Informação credível

Muitas são as futuras mães que procuram informação através da internet sem uma adequada triagem. “A maioria da informação sobre a analgesia do trabalho de parto não é da autoria de anestesiologistas”, critica Filipa Lança. Daí que seja essencial a criação de empatia entre este especialista e a grávida durante todo o trabalho de parto, “com acompanhamento directo durante todo esse processo e com respeito máximo pela opinião e emoções da grávida. A nossa missão normalmente só está completa quando a puérpera tem alta para o domicílio, geralmente ao fim de dois ou três dias”, defende a especialista.

Actualmente, está em construção um site, da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia (SPA), de acesso ao público em geral, onde poderão ser esclarecidas dúvidas sobre os diversos aspectos da anestesia, nomeadamente sobre a Anestesiologia Obstétrica.

José António Bismarck, médico anestesiologista do Hospital da Luz, adianta que “é necessário criar um filtro, daí a importância da informação especializada”.

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Riscos associados

Em caso de cesariana, sobretudo se for necessário realizar uma anestesia geral, os riscos são maiores. “Por esse motivo, tentamos sempre que a grávida opte por uma anestesia loco-regional, a não ser que haja uma contra-indicação absoluta (que são muito poucas). Como em qualquer intervenção médica invasiva, existe sempre um possível risco de infecção, reacção alérgica ou até morte (a própria gravidez suporta estes mesmos riscos)”, adianta Filipa Lança. No entanto, graças ao desenvolvimento da Anestesiologia, a probabilidade de algo mau acontecer é extremamente baixo.

“Na analgesia do trabalho de parto, então, os riscos são muito mínimos. O pior que pode acontecer é, em menos de 1%, uma cefaleia (dor de cabeça), quando realizamos um bloqueio subaracnoideu ou uma técnica sequencial. Esta cefaleia surge habitualmente algumas horas depois do parto e desaparece normalmente em dois ou três dias. É uma dor de cabeça semelhante à enxaqueca, com tratamento sobreponível. Uma vez tratada, nunca mais volta a aparecer. Trata-se de um episódio único”, diz-nos Filipa Lança. Para o Dr. José Bismarck, anestesiologista do Hospital da Luz, este “efeito secundário” é um dos mais frequentes. Diz-nos que podem surgir “cefaleias benignas que cedem aos analgésicos comuns, de curta duração e que apenas se manifestam se a parturiente se encontra na posição de pé”.

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