Sol: amigo ou inimigo? Exposição solar agrava doenças - Médicos de Portugal

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Sol: amigo ou inimigo? Exposição solar agrava doenças

28 Junho, 2008 0

Logo que a subida da temperatura começa a anunciar a chegada do Verão, praias, piscinas e esplanadas enchem-se de uma multidão ávida de sol. O desejo de obter, o mais rapidamente possível, um bronzeado luminoso anima, porventura, muitos dos que saúdam o regresso deste caloroso amigo do corpo e do espírito que durante uns tempos nos acompanha. Porém, cuidado, há que tratá-lo com alguma cerimónia para que não venha a transformar-se num perigoso inimigo.

Revelam as estatísticas que 90% dos cancros de pele são provocados pelas radiações solares, também causadoras do envelhecimento prematuro da pele, alergias, danos oculares e queimaduras. Deste modo, evitar a exposição solar entre as 11 e as 16 horas, período em que os raios ultravioleta são intensos, mais do que aconselhável, torna-se imperioso.

Como todos sabemos, a sensibilidade aos raios solares varia de pessoa para pessoa, consoante a cor da pele e dos olhos, por isso os ruivos de olhos azuis (tipo l) nunca chegam a bronzear-se e estão mais propensos a «apanhar um escaldão» do que os morenos ou os negros (tipo lV e V). Esse facto não invalida que seja aconselhável a todos, sem excepção, o uso de protecção solar com índice adequado, ou seja, um factor tanto mais elevado quanto mais clara e sensível for a pele.

Mesmo assim há que desconfiar dos números indicados nas embalagens porque, salienta o Dr. Orlando Martins, especialista da Clínica Dermatológica do Areeiro, «os testes laboratoriais são efectuados em condições específicas, que não correspondem à realidade do dia-a-dia».

«Tomemos como exemplo um indivíduo com um determinado tipo de pele que, suponhamos, ao fim de dez minutos de exposição solar sofreria uma queimadura. Teoricamente, se aplicasse um produto com um índice de protecção 20 essa exposição poderia prolongar-se até às três horas, ou seja, 200 minutos, o resultado de 20 vezes 10», clarifica o dermatologista, prosseguindo:

«No entanto, na prática é bem diferente. Pela simples razão de que, ao ser realizada a experiência, para calcular o índice se utiliza uma colher de sopa (20 gramas) de produto, para espalhar pelo corpo. Trata-se de quase um terço ou um quarto de uma embalagem normal de 60 ml, que daria para três ou quatro vezes. Ora, na verdade, ninguém aplica essa quantidade, muitas vezes ainda fica o resto para o ano seguinte… Portanto, ao falarmos num índice de 20 esse valor acaba por ser relativo, na melhor das hipóteses será de 4 ou 5. Daí a necessidade de redobrada atenção.»

Manda a prudência que o protector seja usado «em generosas camadas», aplicado meia hora antes da exposição solar «para que se efectue a perfeita combinação com a epiderme» e renovado de duas em duas horas e após o banho porque tanto a água do mar como a transpiração e as toalhas contribuem para reduzir o seu efeito.

Recorrer ao solário com o propósito de preparar a pele para o tempo de praia é ideia que não choca Orlando Martins. Mesmo correndo o risco de ser politicamente incorrecto, o especialista considera-o «útil para indivíduos cujas peles sejam sensíveis, desde que utilizado de forma progressiva e sem nunca esquecer a protecção adequada».

«Deste modo, a camada córnea – zona superficial da epiderme – vai-se tornando mais espessa, o que acaba por impedir, nas primeiras exposições, um golpe de sol, com todas as consequências negativas inerentes», explica, não sem deixar de reconhecer que, para um dermatologista, as suas palavras podem ser consideradas uma heresia.

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