Aporte de Iodo e Doenças da Tiróide em Portugal
Segundo a Sociedade Europeia da Tiróide, um em cada dez portugueses,
ou seja 10% da população, sofre de doenças da tiróide. São patologias
bastante comuns, que afectam sobretudo mulheres, cujos principais
distúrbios são o hipotiroidismo e o hipertiroidismo. No entanto, casos de
nódulos e de cancro da tiróide são cada vez mais frequentes.
A elevada prevalência destas doenças tem preocupado os especialistas nacionais, que apontam a pouca informação e divulgação como uma das principais causas para a detecção tardia. Em Portugal, surgem por ano mais de 400 novos casos de cancro da tiróide, dos quais 20 resultam em morte.
Face a esta situação, o Grupo de Estudos para a Tiróide da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) decidiu arrancar com a primeira investigação epidemiológica sobre “Aporte de Iodo em Portugal”. É um estudo populacional, coordenado pelo Professor Edward Limbert, Endocrinologista do IPO de Lisboa, que procura conhecer a ingestão de iodo a nível nacional.
Iniciado em 2005, envolve a determinação das iodúrias (quantidade de iodo na urina) em duas populações alvo: grávidas e crianças entre os 7 e os 12 anos. O objectivo é avaliar a necessidade de introduzir suplementos alimentares de iodo. A investigação conta com o patrocínio institucional da Merck e os apoios do Colégio da Especialidade de Endocrinologia da Ordem dos Médicos, Direcção-Geral de Saúde, International Council for the Control of Iodine Disorders e Comité Português da Unicef.
Para o Grupo de Estudos para a Tiróide da SPEDM, as doenças da tiróide têm relação directa com a carência deste micronutriente, sendo facilmente diagnosticáveis. Quando isso acontece numa fase inicial, as taxas de cura rondam 90%. Embora a tendência seja para a detecção precoce, existem ainda vários casos não diagnosticados, o que dificulta a possibilidade de travar a progressão das doenças e assegurar uma maior taxa de sobrevida ao doente.
Carência de iodo em grávidas e crianças
O iodo é um micronutriente essencial para a síntese de hormonas tiroideias (HT), fundamentais para o normal desenvolvimento do sistema nervoso central. Deficiência em HT resulta em prejuízos no desempenho cognitivo, cuja severidade depende do grau de insuficiência. Défices baixos a moderados de HT afectam gravemente o coeficiente de inteligência. Durante a gravidez as necessidades de iodo são maiores, para fazer face aos requisitos de HT da mãe e do feto. Tal é especialmente relevante no primeiro trimestre, em que não há ainda qualquer função tiroideia fetal.
A primeira fase do estudo epidemiológio “Aporte de Iodo em Portugal” concluiu que apenas 30% das grávidas observadas têm valores considerados satisfatórios pela OMS e International Council for the Control of Iodine Deficiency Disorders (superiores a 150μg/L); 20% têm iodúrias muito baixas (inferiores a 50μg/L); e 50% apresenta deficiências ligeiras. As conclusões levaram os especialistas a ponderar sobre as vantagens da reintrodução da venda obrigatória de sal iodado.
Face a estes indícios, a Direcção-Geral de Saúde (DGS) defende a necessidade de investigadores e universidades “se interessarem ainda mais por este assunto e, com o apoio das autoridades, confirmar ou não a carência de iodo”. A DGS reforça a importância da realização de um inquérito alimentar nacional e uma avaliação da composição nutricional dos alimentos: sobretudo peixe, frutos e vegetais, como fontes principais de iodo.
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