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Banhos de sol q.b. para os mais pequenos

29 Junho, 2008 0

Verão! Férias, praia, sol e mar… Esta é uma associação de ideias quase automática quando chega uma das épocas mais desejadas do ano para quase todos. Finalmente, é tempo de lazer, de descanso, alegria e brincadeira. E é neste período que a maioria das pessoas faz as malas e parte para o tão aguardado destino de férias, onde o convívio com a família e amigos restabelece as forças para mais um ano de trabalho.

Para gozar as férias com a tranquilidade merecida e, principalmente, se vai em família, recorde-se que o Verão exige cuidados redobrados com as crianças.

O sol moderado faz bem à saúde. É agradável, alegre e é importante para o processo de absorção de cálcio e vitamina D – o que faz com que o corpo tenha um crescimento normal e saudável. Mas deverá sempre ter em conta que as crianças são mais sensíveis aos raios solares que os adultos e que é necessário uma atenção redobrada com elas.

O sol em excesso, a pele desprotegida e a ausência de protecção adequada à criança são apenas algumas das causas que podem originar queimaduras no corpo, provocar a desidratação do organismo – e provocar a insolação solar na criança.

O Dr. Rui Dias Lopes, que durante cerca de 40 anos foi pediatra no Hospital de Santa Maria, dedicou parte do seu tempo a melhorar as condições das crianças com problemas respiratórios.

Sobre a insolação solar diz-nos que, «se considerarmos por insolação o conjunto de fenómenos mórbidos determinados no organismo pela acção dos raios solares e do calor, podemos afirmar que as principais causas da insolação solar na criança são a exposição indevida das mesmas ao sol, sem alguns cuidados especiais prévios».

E continua: «É bom não esquecer que, mesmo sem se estar à beira-mar, podemos também apanhar sol de uma maneira excessiva, como por exemplo na montanha, quando da exposição ao sol reflectido na neve, num jardim, num parque infantil, num terraço com as paredes pintadas de branco».

Ainda de acordo com Rui Lopes, «por outro lado, o lactente e a criança não reagem como o adulto à exposição solar. A pigmentação bronzeada, que é um meio de defesa, aparece tanto mais lentamente quanto mais jovem for a criança».

Com as nuvens a esconder o sol intenso, o nível de radiação solar chega a 70% de um dia de céu limpo e mesmo nos dias enevoados podem verificar-se queimaduras pelos raios ultravioleta (não são absorvidos pelo vapor de água, ao contrário do que sucede com os infravermelho que são absorvidos).

Famoso bronzeado

É a produção de melanina que dá a bonita cor à pele, o tão famoso bronzeado. Quando se é novo as células recuperam facilmente. Porém, com o passar do tempo começam a surgir manchas, pequenas pintas ou sinais. As hipóteses de se contrair cancro da pele aumentam com a idade.

«Assistimos hoje, sugestionados pela publicidade e por certo tipo de comunicação social, a uma grande preocupação, talvez exagerada, pelo aspecto físico do corpo durante e após as férias de Verão», diz o pediatra, acrescentando:

«O culto de uma pele muito bronzeada, conseguida por vezes sem os cuidados mínimos desejáveis de protecção contra os efeitos nefastos que esse comportamento pode ter a longo prazo, é hoje uma realidade. E aí é que está o mal, porque na ânsia de obter um bronzeado de uma maneira muito rápida, esquece-se a tal protecção eficaz.»

Para o especialista, a exposição excessiva ao sol origina como primeiras manifestações nas crianças «a vermelhidão intensa da pele, podendo suceder-se o aparecimento de edema e bolhas. Estas situações podem provocar dor, por aumento da sensibilidade cutânea. As crianças, e especialmente os lactentes, com uma exposição indevida ao sol podem também reagir ao excesso de calor com grande agitação e intensa sensação de sede».

«Nas formas extremas, mais graves», continua, «pode verificar-se intensa agitação, movimentos de mastigação, choro com gritos intensos e até convulsões e rigidez da nuca».

Rui Lopes adverte ainda que «se a temperatura de uma criança porventura abandonada por descuido, por um período de 15 a 30 minutos ao sol, atingir 41 a 42 graus, essa insolação pode revelar-se com um aspecto comatoso».

Podem também verificar-se acidentes localizados à pele, como por exemplo queimaduras, devido a fenómenos de fotossensibilidade. Perfumes e desodorizantes com essências cítricas aumentam o risco do aparecimento de manchas:

«Acontece quando a criança está a tomar certos medicamentos por via geral, como por exemplo sulfamidas ou localmente quando foram aplicados, inadvertidamente, perfumes ou essências de limão numa determinada zona da pele.»

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