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Prevenção, tratamento dirigido e tratamento sintomático » Como lidar com a gripe

7 Dezembro, 2007 0

Estamos em época de gripe. Surgem os primeiros sintomas e muitas pessoas correm às farmácias em busca de um aliviador medicamento. Mas a falta de informação sobre os antigripais e seus diversos efeitos reina em Portugal. Para além disso, muitos doentes limitam-se a tomar o que têm em casa de outros anos ou o que, sem o conhecimento necessário, lhes aconselham.

A gripe é uma infecção das vias aéreas provocada por um vírus com características únicas – o vírus influenza que tem três tipos: A, B e C.

«O tipo C não tem significado em termos de doença para o Homem e os tipos A e o B são os responsáveis pelas duas formas de gripe que existem: a gripe sazonal, epidémica ou interpandémica e a gripe pandémica», explica o Dr. Filipe Froes, pneumologista do Hospital de Pulido Valente e membro da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

A gripe sazonal ou interpandémica ocorre todos os anos, normalmente no Inverno, e é provocada pelos tipos A e B do vírus. As gripes pandémicas são resultantes da recombinação e/ou mutações adaptativas do vírus e são provocadas apenas pelo tipo A do influenza. Por exemplo, agora, com a tão falada gripe das aves, está-se à espera de uma pandemia porque este vírus está a evoluir e, previsivelmente, mais tarde ou mais cedo, provocará uma pandemia.

«O que muitas pessoas também não sabem é que este vírus da gripe – o influenza – é um dos quatro mais graves que afecta os humanos, depois do VIH e das hepatites B e C», constata o pneumologista.

A gripe não é considerada uma doença grave pela maioria das pessoas e, de facto, não é das mais mortais na sua forma de apresentação mais frequente, mas para algumas pessoas, como os idosos ou os doentes crónicos, pode sê-lo. Refira-se, a título de exemplo, que nos EUA, actualmente, morrem mais pessoas de gripe do que de SIDA.

Depois de enunciadas estas informações menos agradáveis, existe um facto positivo: a gripe é evitável e curável. Como? «A melhor forma de prevenir a gripe é a vacinação», sustenta Filipe Froes. Na medida em que a vacina antigripal tem uma produção limitada, a Organização Mundial de Saúde recomenda que esta seja administrada, com prioridade, aos grupos de risco.

E quando não se conseguiu evitar a gripe? «Primeiro», aconselha o especia­lista, «o doente deve repousar; hidratar-se correctamente e não agredir mais o corpo, ou seja, evitar o consumo de álcool e não fumar».

Combate ao vírus e aos sintomas

No que respeita ao tratamento por via de medicamentos, existem dois tipos: o tratamento dirigido ao vírus influenza e o tratamento sintomático (alívio dos sintomas).

O tratamento dirigido ao vírus faz-se através de «uma nova classe de fármacos que são os inibidores da neuraminidase», diz este pneumologista, frisando que «o vírus da gripe apresenta na sua estrutura dois tipos de glicoproteínas: a hemaglutinina e a neuraminidase».

As células humanas têm um mecanismo responsável pela entrada e saída do vírus – os receptores celulares aos quais se liga a hemaglutinina. A neuraminidase é indispensável à libertação do vírus das células infectadas ao cortar a ligação entre esses receptores e a hemaglutinina.

Ora, «os fármacos inibidores da neuraminidase vão impedir a saída do vírus da célula, através da inibição da neuraminidase. Assim, evita-se que os vírus se libertem, que infectem as células vizinhas e sejam expelidas nas secreções respiratórias», descreve Filipe Froes.

Sem a influência dos inibidores da neuraminidase, «as primeiras células infectadas produzem milhares de cópias do vírus, vindo a falecer durante este processo de replicação viral. Depois, estes vírus libertam-se, vão penetrar as células e os tecidos vizinhos, sendo expelidas nas secreções brônquicas, através do falar, do tossir ou do espirrar», explica ainda o especialista.

Já a quantidade de medicamentos de tratamento sintomático é bem mais vasta. Os principais tipos são: os descongestionantes nasais, os antitússicos, os antipiréticos, os anti-inflamatórios e os anti-histamínicos.

A febre e as dores (de cabeça e musculares) são os principais sintomas da gripe, constituindo-se como um factor de desconforto e até de descompensação de uma outra doença, nomeadamente as cardíacas ou a diabetes.

«Os antipiréticos, como por exemplo o paracetamol, ou outros anti-inflamatórios são mais indicados para atenuar a febre e as dores», afirma o pneumologista, que continua:

«Se as pessoas referirem muitas queixas nasais, vamos dar medicamentos que descongestionam o nariz, podendo ser de administração local/tópica ou por via oral.»

Estes fármacos reduzem a obstrução no nariz, facilitam a drenagem e ventilação e, assim, diminuem a sensação de «nariz entupido».

Geralmente, os anti-histamínicos também actuam como antitússicos e descongestionantes nasais, uma vez que, como refere Filipe Froes, «vão inibir um dos mediadores inflamatórios – a histamina – que tem actividade ao nível da congestão nasal e do aumento da tosse». Assim, reduzem o corrimento nasal, a irritação dos olhos, os espirros e a tosse.

Por seu turno, os antitússicos de acção central, que entram na composição de alguns antigripais, mas não trazem uma acção benéfica para o alívio dos outros sintomas da gripe.

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