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Prevenção, tratamento dirigido e tratamento sintomático » Como lidar com a gripe

7 Dezembro, 2007 0

Atenção às nefastas repercussões da gripe

«É preciso ter em atenção que a gripe pode descompensar outras doenças previamente existentes ou evoluir para complicações graves, como as infecções traqueobrônquicas e a pneumonia», avisa Filipe Froes. É de destacar que a principal causa de mortalidade associada à gripe não é a gripe em si, mas as complicações e descompensações dela decorrentes.

«Vivemos continuamente no equilíbrio entre os microrganismos que nos podem provocar doenças e os nossos mecanismos de defesa. Se a gripe destruir as nossas defesas, os “exércitos bacterianos” avançam e provocam infecções bacterianas secundárias, traqueobrônquicas (ao nível da traqueia e brônquios) e, se forem no pulmão, podem evoluir para pneumonia», salienta o pneumologista. É aqui, e apenas em caso de infecção bacteriana, que se deve recorrer aos antibióticos.

Como sustenta Filipe Froes, «os antibióticos não têm qualquer acção contra o vírus da gripe, pelo que só têm indicação quando há complicações bacterianas, ou seja, quando, depois de alguns dias, a febre persiste ou agrava, a expectoração aumenta e torna-se mais purulenta. Nestes casos, o aparecimento de falta de ar sugere pneumonia».

Antibióticos: eficazes quando adequados

Os antibióticos servem para combater as infecções bacterianas, mas o número de bactérias resistentes a estes fármacos tem vindo a crescer e, assim, infecções que há alguns anos eram facilmente combatidas, amanhã poderão ser causa de morte.

Mas por que está isto a acontecer? Essencialmente, devido ao mau uso dos antibióticos que está a permitir que as bactérias «aprendam» a tornar-se resistentes. A grande maioria das pessoas não sabe que ao automedicar-se está a colocar em risco a sua possibilidade de tratamento no futuro.

Um estudo recente dos laboratórios Pfizer, destinado a conhecer os hábitos dos portugueses relativos ao uso dos antibióticos, demonstra que 43% dos inquiridos não sabe em que situações o uso de antibióticos é inadequado e 22% acha que deve tomar antibióticos para combater uma gripe.

Ora, sendo a gripe uma doença viral, os antibióticos não estão indicados para o seu tratamento e apenas se poderá recorrer a eles no caso de surgir uma infecção bacteriana secundária.

A gripe é uma infecção das vias aéreas provocada por um vírus com características únicas – o vírus influenza que tem três tipos: A, B e C.

«O tipo C não tem significado em termos de doença para o Homem e os tipos A e o B são os responsáveis pelas duas formas de gripe que existem: a gripe sazonal, epidémica ou interpandémica e a gripe pandémica», explica o Dr. Filipe Froes, pneumologista do Hospital de Pulido Valente e membro da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

A gripe sazonal ou interpandémica ocorre todos os anos, normalmente no Inverno, e é provocada pelos tipos A e B do vírus. As gripes pandémicas são resultantes da recombinação e/ou mutações adaptativas do vírus e são provocadas apenas pelo tipo A do influenza. Por exemplo, agora, com a tão falada gripe das aves, está-se à espera de uma pandemia porque este vírus está a evoluir e, previsivelmente, mais tarde ou mais cedo, provocará uma pandemia.

«O que muitas pessoas também não sabem é que este vírus da gripe – o influenza – é um dos quatro mais graves que afecta os humanos, depois do VIH e das hepatites B e C», constata o pneumologista.

A gripe não é considerada uma doença grave pela maioria das pessoas e, de facto, não é das mais mortais na sua forma de apresentação mais frequente, mas para algumas pessoas, como os idosos ou os doentes crónicos, pode sê-lo. Refira-se, a título de exemplo, que nos EUA, actualmente, morrem mais pessoas de gripe do que de SIDA.

Depois de enunciadas estas informações menos agradáveis, existe um facto positivo: a gripe é evitável e curável. Como? «A melhor forma de prevenir a gripe é a vacinação», sustenta Filipe Froes. Na medida em que a vacina antigripal tem uma produção limitada, a Organização Mundial de Saúde recomenda que esta seja administrada, com prioridade, aos grupos de risco.

E quando não se conseguiu evitar a gripe? «Primeiro», aconselha o especia­lista, «o doente deve repousar; hidratar-se correctamente e não agredir mais o corpo, ou seja, evitar o consumo de álcool e não fumar».

Combate ao vírus e aos sintomas

No que respeita ao tratamento por via de medicamentos, existem dois tipos: o tratamento dirigido ao vírus influenza e o tratamento sintomático (alívio dos sintomas).

O tratamento dirigido ao vírus faz-se através de «uma nova classe de fármacos que são os inibidores da neuraminidase», diz este pneumologista, frisando que «o vírus da gripe apresenta na sua estrutura dois tipos de glicoproteínas: a hemaglutinina e a neuraminidase».

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