Pelos que não fumam
A nicotina não é a única má da fita: o fumo do tabaco contém mais de quatro mil compostos químicos, dos quais mais de 40 são reconhecidos como carcinogénios. Sem falar nas outras substâncias que são também inaladas e queimadas e cujas consequências para a saúde são ainda mal conhecidas.
Comprovada cientificamente está a associação entre o consumo do tabaco e uma maior probabilidade de se contraírem doenças, com destaque para o cancro e as patologias do foro circulatório e respiratório. Sabe-se que estão relacionados com o tabaco um terço de todos os casos de cancro, 90% dos cancros do pulmão, cancros do aparelho respiratório superior (lábio, língua, boca, faringe e laringe), cancro da bexiga, rim, colo do útero, esófago, estômago e pâncreas, doença isquémica cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crónica.
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Pulmões sofrem!
São sobretudo duas as doenças em que o tabaco é o principal suspeito: o cancro do pulmão e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica. É silenciosamente que o cancro do pulmão se instala. A primeira denúncia de que algo vai mal é uma tosse persistente, a que os fumadores se habituam, continuando a fumar. Quando se começam a assustar é quase sempre quando a tosse é acompanhada de expectoração e, um dia, nela descobrem laivos de sangue.
O mais provável é nessa altura já exibirem outros sintomas: dificuldade em respirar, cansaço fácil, falta de apetite, dores inesperadas mas persistentes no tórax. O diagnóstico precoce do cancro do pulmão é muito difícil, quer porque os sintomas se assemelham aos de outras doenças do fumador, quer porque o próprio doente raramente procura o médico aos primeiros sinais de alarme.
Numa radiografia ao tórax, uma simples sombra, sem contornos definidos, pode ser o primeiro indício. Porém, a verdade é que para que um tumor seja visível num raio-X é preciso que tenha mais de um centímetro de diâmetro. Ora isso significa que a célula original que degenerou já se multiplicou 36 vezes, o mesmo é dizer que a doença se encontra já numa fase adiantada.
A radiografia é, regra geral, o primeiro dos meios de diagnóstico, mas não fornece provas seguras da existência de cancro, pelo que deve ser complementada com outros exames.
Os passos seguintes consistem numa citologia da expectoração (análise microscópica de uma amostra) e numa broncoscopia (através de um tubo de fibra óptica é possível visualizar internamente a árvore traqueo-brônquica). Uma biopsia (exame de uma amostra de tecido) permitirá confirmar o diagnóstico e identificar o tipo de cancro de acordo com as características das suas células.
Finalmente, uma TAC (tomografia axial computorizada) possibilita a avaliação da dimensão do tumor e da eventual extensão a áreas adjacentes aos pulmões.
Para muitos doentes, o diagnóstico chega tarde demais. De tal forma que só em 10% dos casos é possível a cura, o mesmo é dizer que apenas um em cada dez doentes estará vivo ao fim de cinco anos. Para esta baixa taxa de sucesso em muito contribuem as recidivas: há muitos indivíduos que continuam a fumar mesmo após a intervenção terapêutica.
Num em cada cinco doentes, a cirurgia é possível. Antes da decisão, o médico avalia a função respiratória do doente, de modo a determinar se o pulmão remanescente tem ou não capacidade suficiente para assegurar a autonomia do sistema. Porém, nem sempre é necessário extirpar a totalidade do pulmão, podendo remover-se apenas uma parte, isto é, um lobo pulmonar.

