Pelos que não fumam
O mais provável é nessa altura já exibirem outros sintomas: dificuldade em respirar, cansaço fácil, falta de apetite, dores inesperadas mas persistentes no tórax. O diagnóstico precoce do cancro do pulmão é muito difícil, quer porque os sintomas se assemelham aos de outras doenças do fumador, quer porque o próprio doente raramente procura o médico aos primeiros sinais de alarme.
Numa radiografia ao tórax, uma simples sombra, sem contornos definidos, pode ser o primeiro indício. Porém, a verdade é que para que um tumor seja visível num raio-X é preciso que tenha mais de um centímetro de diâmetro. Ora isso significa que a célula original que degenerou já se multiplicou 36 vezes, o mesmo é dizer que a doença se encontra já numa fase adiantada.
A radiografia é, regra geral, o primeiro dos meios de diagnóstico, mas não fornece provas seguras da existência de cancro, pelo que deve ser complementada com outros exames.
Os passos seguintes consistem numa citologia da expectoração (análise microscópica de uma amostra) e numa broncoscopia (através de um tubo de fibra óptica é possível visualizar internamente a árvore traqueo-brônquica). Uma biopsia (exame de uma amostra de tecido) permitirá confirmar o diagnóstico e identificar o tipo de cancro de acordo com as características das suas células.
Finalmente, uma TAC (tomografia axial computorizada) possibilita a avaliação da dimensão do tumor e da eventual extensão a áreas adjacentes aos pulmões.
Para muitos doentes, o diagnóstico chega tarde demais. De tal forma que só em 10% dos casos é possível a cura, o mesmo é dizer que apenas um em cada dez doentes estará vivo ao fim de cinco anos. Para esta baixa taxa de sucesso em muito contribuem as recidivas: há muitos indivíduos que continuam a fumar mesmo após a intervenção terapêutica.
Num em cada cinco doentes, a cirurgia é possível. Antes da decisão, o médico avalia a função respiratória do doente, de modo a determinar se o pulmão remanescente tem ou não capacidade suficiente para assegurar a autonomia do sistema. Porém, nem sempre é necessário extirpar a totalidade do pulmão, podendo remover-se apenas uma parte, isto é, um lobo pulmonar.
Aos doentes que não podem ser operados é possível aplicar tratamentos de radioterapia, tendo como objectivo retardar a evolução do tumor. A cura já não é a meta, além de que esta terapia pode ter como efeitos secundários uma inflamação do pulmão. Tosse, dificuldades respiratórias e febre são os sinais de alerta.
Quanto à quimioterapia, é uma opção terapêutica geralmente aplicada no chamado cancro de células pequenas – de evolução muito rápida e propagação fácil a outras partes do corpo (metástases). Por vezes combinada com radioterapia, tem o mérito de prolongar a vida a uma percentagem considerável de doentes.
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Respirar é difícil
A chamada tosse do fumador é também um dos sintomas iniciais da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC). Faz-se sentir logo pela manhã, ao acordar, com frequência acompanhada de expectoração num corpo que não consegue vencer o cansaço, por mais que repouse.

