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Mais frequentes na infância » As anginas são responsáveis pelo absentismo escolar

7 Dezembro, 2007 0

Ao abrir-se bem a boca, é possível ver duas pequenas estruturas arredondadas que se situam logo no início da garganta, uma em cada um dos lados. São as amígdalas, dois órgãos linfóides que têm por função ajudar a proteger o organismo contra bactérias e vírus, produzindo anticorpos, principalmente na infância. Quando as amígdalas infectam, surge a amigdalite crónica, vulgarmente conhe­cida por angina.

E por que se infectam as amígdalas? A causa pode ser viral ou bacteriana, sendo que, na maior parte dos casos, as amigdalites virais são menos problemáticas do que as bacterianas», responde o Dr. Alberto Santos, otorrinolaringologista do Hospital de Santa Maria (Lisboa). As amigdalites virais são as mais frequentes, estimando-se que representem 70% dos casos de amigdalite aguda.

É no Inverno que mais frequentemente surgem as amigdalites agudas e isto deve-se, principalmente, às variações de temperatura, bem mais comuns nesta época do ano, e não apenas às baixas temperaturas. «Estas variações podem diminuir as defesas (imunocapacidade) do indivíduo e pode registar-se uma paralisia temporária dos cílios da mucosa aérea (que fazem a limpeza das vias aéreas)», explica este otorrino.

Por outro lado, a luz solar, que é menos frequente no Inverno, diminui a incidência de alguns micróbios e reforça as nossas defesas.

Por isso, como constata este especialista, «existem mais viroses nos meses invernosos que ou afectam directamente as amígdalas (amigdalite viral) ou abrem caminho a uma infecção que pode depois desenvolver a amigdalite bacteriana». Para agravar, nesta altura do ano, permanece-se mais tempo em espaços fechados, o que aumenta o risco de contágio dos vírus.

Um doente afectado pela amigdalite pode transmitir essa infecção a outras pessoas. Como? A transmissão pode dar-se pelo do contacto directo, como por exemplo com um beijo, mas, regra geral, é através das gotículas de saliva que se expelem ao falar, espirrar ou tossir que os vírus e bactérias mais se transmitem.

«Com um espirro são libertadas mais ou menos 20 mil gotículas microscópicas de saliva que podem ser enviadas até três metros de distância e ficar suspensas em poeiras ou gotas de humidade durante um ou dois dias com possibilidade de transmissão», elucida Alberto Santos.

Em 1998, registaram-se mais de 110 mil casos de amigdalites agudas, o que leva o otorrino a afirmar que se trata de «um verdadeiro problema de saúde pública, dado que os casos mais graves desembocam em absentismo escolar e laboral».

As anginas são mais frequentes na infância e o pico de incidência situa-se entre os quatro e 10 anos.

«A partir da puberdade, na maior parte dos casos, a incidência das amigdalites diminui, mas isto não quer dizer que não haja pessoas que as têm a vida toda. Há muitos adultos que sofrem de amigdalite aguda desde a infância», diz o especialista.

Complicações e soluções

«O panorama da amigdalite aguda mudou muito», revela Alberto Santos. E porquê? «Há 30 anos, as complicações mais frequentes e preocupantes das amigdalites eram as complicações sistémicas, a febre reumática com lesões articulares ou cardíacas associadas e as glomerulonefrites (lesões nos rins). Neste momento, as mais preocupantes são as complicações locorregionais (junto das amígdalas), como os abcessos cervicais, cada vez mais frequentes, e perigosos, podendo obrigar à cirurgia de urgência», conta o otorrino, que sublinha:

«Esta evolução está relacionada com os antibióticos, porque a sua má política de utilização, que passa pela automedicação e pela prescrição inadequada e exagerada, utilizando-se os antibióticos quando não se justifica, facilita o aparecimento de micróbios mais resistentes.»
«Nem sempre é possível prevenir as amigdalites agudas, mas quanto mais cedo tentarmos, melhor», acredita Alberto Santos.

Com alguns comportamentos diários, pode-se evitar a infecção das amígdalas. Não fumar, não ingerir ácidos à noite, manter a higiene oral e nasal, lavando bem os dentes, lavar o nariz com soro fisiológico são alguns destes comportamentos.

No caso de não ser a primeira amigdalite, sustenta o especialista, «é preciso fazer uma observação cuidada e traçar-se um bom historial clínico, na tentativa de controlar os factores de risco, devendo o doente ser mesmo observado pelo otorrino».

Na medida em que uma amigdalite nunca é igual à outra, esta infecção «deve sempre ser observada e tratada a pelo médico e, em caso de repetição, a pessoa deve ser acompanhada por um otorrinolaringologista», aconselha Alberto Santos.

No que concerne ao tratamento, existem duas formas de solucionar as amigdalites agudas: as injecções de penicilina, com uma duração mais ou menos 24 horas e os antibióticos dirigidos para as amigdalites bacterianas, com duração mínima de sete dias. Nas amigdalites crónicas, a cirurgia – amigdalectomia –, aplicada para remover as amígdalas, resolve definitivamente o problema.

Segundo este especialista, «a cirurgia justifica-se, essencialmente, quando a pessoa tem um número elevado de amigdalites agudas não controladas de outra forma; quando existem complicações associadas; quando, no caso dos adultos, se suspeita de um tumor (pouco frequente) ou quando o tamanho das amígdalas é exagerado que chega a comprometer a respiração durante a noite (apneia do sono muito incidente nas crianças)».

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