Fígado em risco
O fígado é a principal vítima da hepatite B, uma infecção com muitas semelhanças com a sida: partilham meios de transmissão e grupos de risco. E até formas de prevenção, como a adopção de comportamentos sexuais seguros. Com a vantagem de haver vacina contra a hepatite B, que agora pode ser ministrada na farmácia.
São seis as estirpes do vírus da hepatite B já identificadas. Todas elas actuam sobre o fígado, causando-lhe danos que, no extremo, podem obrigar a um transplante.
É certo que o fígado é um órgão resistente, com uma extraordinária capacidade de regeneração, mas não é imune a todas as agressões. E a hepatite B é uma das doenças capazes de perturbar o funcionamento deste órgão complexo.
Localizado no lado direito do abdómen, mesmo sob as costelas, é o fígado que processa a maioria dos nutrientes absorvidos pelos intestinos, que elimina as substâncias tóxicas do sangue e que produz a bílis, o fluido esverdeado que ajuda a digerir as gorduras.
É também responsável pela produção de colesterol, de factores de coagulação do sangue e de algumas proteínas.
Estas múltiplas funções coincidem num órgão capaz de substituir ou reparar os seus próprios tecidos, com as células saudáveis a assumirem as tarefas das células lesionadas, temporária ou definitivamente. Há, no entanto, vírus mais agressivos com capacidade para interferir neste equilíbrio.
É assim o VH B. Entra no organismo da mesma forma que o vírus da sida: através do sangue, da saliva, do sémen ou de outros fluidos de uma pessoa já infectada, sendo o contágio também possível verticalmente, isto é, de mãe para filho, no momento do parto ou na amamentação.
Cerca de doze semanas após o contágio, costumam manifestar-se os sintomas, cuja gravidade oscila de pessoa para pessoa. Aliás, a infecção pode nem se denunciar, assim acontecendo, por vezes, em bebés e crianças e até nalguns adultos. Isto não significa, porém, que não haja danos e risco de infectar outras pessoas.
Quando se declaram, os sintomas englobam perda de apetite, náuseas e vómitos, dores abdominais (sobretudo junto ao fígado), urina escura (da cor do chá), fraqueza e cansaço, bem como icterícia (um tom amarelado na pele e no branco dos olhos).
De aguda a crónica
A hepatite B assume duas formas, uma aguda e outra crónica. É aguda quando se declara pela primeira vez e se prolonga por menos de seis meses. Se ultrapassar esta duração, considera-se que é crónica.
Na prática, no caso da hepatite aguda, o sistema imunitário consegue combater o vírus, erradicando-o do organismo, de modo que a recuperação se completa ao fim de alguns meses. Mas quando o vírus resiste, a infecção permanece, podendo conduzir a graves problemas hepáticos, nomeadamente cirrose e cancro do fígado.
Se for contraída na idade adulta o mais provável é que seja aguda. Mas se o contágio acontecer na infância, sobretudo até aos cinco anos, há maior risco de se tornar crónica.
Além de que pode permanecer por detectar durante anos e anos, manifestando-se apenas quando a pessoa já está seriamente doente.

