Fígado em risco
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Este é, aliás, um dos principais problemas que se colocam em matéria de tratamento: é que a ausência de sintomas leva a um diagnóstico tardio, quando já há danos. Um diagnóstico que envolve a realização de testes sanguíneos, seguidos de exames mais específicos ao fígado que permitem avaliar a gravidade da infecção.
O tratamento implica a toma de medicamentos anti-virais, de que os interferões-alfa são uma alternativa recente: são substâncias que estimulam a resposta do sistema imunitário perante o VH B, ajudando a impedir a multiplicação do vírus. Quando o fígado já está seriamente danificado, um transplante pode ser a única solução.
Os mesmos caminhos da sida
A hepatite B é, no entanto, uma doença prevenível. E a prevenção passa pelos mesmos caminhos da prevenção da sida, até porque, além dos meios de contágio, partilham grupos de risco: ambas são mais frequentes entre quem tem sexo desprotegido (sem recurso a preservativo) e entre os consumidores de drogas injectáveis.
Também os profissionais de saúde correm algum risco, dada a possibilidade de se picarem acidentalmente com uma agulha utilizada no tratamento de um doente. O mesmo acontece, naturalmente, com os bebés nascidos de mães infectadas que não tenham recebido tratamento nem sido submetidas a uma cesariana.
Assim sendo, a prevenção passa pela adopção de comportamentos seguros, tanto pela parte de quem já está infectado, como por quem é saudável. E – esta é uma diferença essencial face à sida – passa também pela vacinação.
O sexo seguro deve ser uma prioridade e o preservativo um companheiro de todas as formas de contacto sexual. Ainda em nome da segurança é importante conhecer o estatuto do parceiro face à doença, tal como informá-lo se se está infectado: naturalmente que esta é uma atitude delicada, que pode gerar receios e desconfianças, mas pode ser meio caminho andado para prevenir a infecção.
O mesmo objectivo preventivo consegue-se não partilhando objectos que possam estar em contacto com os fluidos corporais, como as lâminas de barbear, escovas de dentes e, claro, agulhas (como as usadas para desenhar tatuagens) e seringas. Os consumidores de drogas injectáveis devem, assim, utilizar cada seringa apenas uma vez, podendo recorrer ao programa “Diz não a uma seringa em segunda mão” (mais conhecido como troca de seringas), disponível na esmagadora maioria das farmácias.
As mulheres devem adoptar alguns cuidados particulares. O ideal é que, antes de engravidarem, façam o teste de despiste da hepatite B, mas se já estiverem grávidas devem realizá-lo na mesma, o mais cedo possível, de modo a proteger o bebé.
Quem já está doente, deve manter igualmente comportamentos seguros, de modo a evitar o contágio de outras pessoas. E deve adoptar outras precauções, em nome da sua própria saúde: não ingerir álcool (na medida em que acelera a progressão da doença hepática), evitar medicamentos que possam causar danos no fígado (é o caso do acetaminofeno, com efeito analgésico), fazer uma alimentação equilibrada (de modo a reforçar o sistema imunitário) e praticar exercício físico (aumenta a energia).

