Fígado em risco
Muitas das pessoas infectadas recuperam completamente da hepatite B. Mas o risco de a doença se tornar crónica espreita sempre.
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Vacine-se na sua farmácia
A vacina contra a hepatite B é uma das que as farmácias estão legalmente habilitadas a ministrar desde Outubro último. Trata-se de um novo serviço farmacêutico, disponibilizado com toda a qualidade e segurança, tendo os farmacêuticos recebido formação específica para a administração de vacinas.
Assim, já é possível adquirir e receber a vacina no mesmo espaço – a farmácia – garantindo as melhores condições de estabilidade e eficácia, pois mantêm-se as condições ideais de conservação da vacina, além de que conta com a vantagem acrescida do aconselhamento farmacêutico.
Nas farmácias podem vacinar-se contra a hepatite B, mediante receita médica, todas as pessoas não abrangidas pelo Plano Nacional de Vacinação, ou seja, pessoas com mais de 18 anos.
Qualquer pessoa pode ser infectada com o vírus VH B, pelo que todas se podem vacinar, mas corre maior risco e beneficia mais da vacinação quem tem relações sexuais desprotegidas e com mais do que um parceiro, mantém relações sexuais com alguém infectado, tem uma doença sexualmente transmissível como a gonorreia e a clamídia, tem uma profissão com exposição ao sangue humano, viaja para zonas do mundo com elevados índices de infecção.
São seis as estirpes do vírus da hepatite B já identificadas. Todas elas actuam sobre o fígado, causando-lhe danos que, no extremo, podem obrigar a um transplante.
É certo que o fígado é um órgão resistente, com uma extraordinária capacidade de regeneração, mas não é imune a todas as agressões. E a hepatite B é uma das doenças capazes de perturbar o funcionamento deste órgão complexo.
Localizado no lado direito do abdómen, mesmo sob as costelas, é o fígado que processa a maioria dos nutrientes absorvidos pelos intestinos, que elimina as substâncias tóxicas do sangue e que produz a bílis, o fluido esverdeado que ajuda a digerir as gorduras.
É também responsável pela produção de colesterol, de factores de coagulação do sangue e de algumas proteínas.
Estas múltiplas funções coincidem num órgão capaz de substituir ou reparar os seus próprios tecidos, com as células saudáveis a assumirem as tarefas das células lesionadas, temporária ou definitivamente. Há, no entanto, vírus mais agressivos com capacidade para interferir neste equilíbrio.
É assim o VH B. Entra no organismo da mesma forma que o vírus da sida: através do sangue, da saliva, do sémen ou de outros fluidos de uma pessoa já infectada, sendo o contágio também possível verticalmente, isto é, de mãe para filho, no momento do parto ou na amamentação.
Cerca de doze semanas após o contágio, costumam manifestar-se os sintomas, cuja gravidade oscila de pessoa para pessoa. Aliás, a infecção pode nem se denunciar, assim acontecendo, por vezes, em bebés e crianças e até nalguns adultos. Isto não significa, porém, que não haja danos e risco de infectar outras pessoas.
Quando se declaram, os sintomas englobam perda de apetite, náuseas e vómitos, dores abdominais (sobretudo junto ao fígado), urina escura (da cor do chá), fraqueza e cansaço, bem como icterícia (um tom amarelado na pele e no branco dos olhos).

