Crianças & Medicamentos: Pelo seguro
A segurança deve estar sempre presente quando se dão medicamentos a uma criança. Há que respeitar as instruções de toma e resistir à tentação de adaptar a medicação dos adultos: é que meio comprimido não é igual a meia dose… E, claro, é preciso mantê-los fora de alcance!
A relação entre as crianças e os medicamentos coloca alguns problemas de segurança, resultantes do facto de serem poucos os fármacos pediátricos, ou seja, concebidos especificamente para os doentes de palmo e meio.
O que acontece, na maioria das vezes, é que são prescritos pelo médico ou aconselhados pelo farmacêutico medicamentos destinados a adultos – a segurança e a eficácia terapêutica foram testadas em adultos e as doses recomendadas foram definidas a partir desses testes.
Assim sendo, a questão é saber qual é a dose adequada a uma criança. A que corresponde, num corpo infantil, a colher de sopa indicada para um adulto? Ou o comprimido? É o peso da criança que permite quantificar qual a dose adequada, sabendo-se que medicamento a menos pode ser ineficaz e que em excesso pode ser prejudicial.
Em nome da eficácia e da segurança é, pois, importante conhecer, a cada momento, o peso da criança, de modo a auxiliar o médico ou o farmacêutico na tarefa de definir a quantidade de medicamento mais adequada.
Acautelar riscos
Em redor da duração do tratamento surgem também algumas questões: por quanto tempo tomar o medicamento é uma delas. A resposta oscila em função da doença: se o medicamento se destina a aliviar sintomas como a dor pode ser apenas necessário tomar o medicamento até se obter alívio, mas perante uma infecção bacteriana é fundamental fazer o tratamento na íntegra – é que, nestes casos, são prescritos antibióticos, que devem ser tomados mesmo depois de os sintomas desaparecem, sob pena de não cumprirem a sua função (eliminar as bactérias do organismo) e de a infecção regressar.
Nem sempre as crianças necessitam de medicamentos. Há situações de desconforto para as quais o repouso, a ingestão de líquidos e a humidificação do ambiente se podem revelarsuficientes. Assim acontece, por exemplo, com as constipações. Por serem de origem viral, não dispõem de medicamentos específicos, sendo geralmente limitadas no tempo.
O organismo infantil é particularmente vulnerável, quer à acção dos factores ambientais e agentes infecciosos, quer à acção dos próprios medicamentos. Daí a importância de, perante determinados sintomas, pais e cuidadores resistirem a diagnosticar o problema e, sobretudo, a ministrar qualquer fármaco.
Essa tarefa deve ser deixada para os profissionais de saúde: um mal-estar ligeiro pode beneficiar do aconselhamento farmacêutico, habilitado a indicar os chamados medicamentos não sujeitos a receita médica e a recomendar medidas de auto-cuidado, bem como a encaminhar para uma consulta médica se considerar necessário.
[Continua na página seguinte]
Os pais e outros cuidadores são, naturalmente, bem intencionados, mas podem cometer alguns erros que assim se salvaguardam. Uma das regras de ouro é não dar à criança medicamentos rescritos ou indicados para outra pessoa, quer seja adulta, quer seja criança: é que mesmo que os sintomas sejam os mesmos, pode acontecer que os medicamentos e as doses sejam diferentes.

