Fígado em risco
De aguda a crónica
A hepatite B assume duas formas, uma aguda e outra crónica. É aguda quando se declara pela primeira vez e se prolonga por menos de seis meses. Se ultrapassar esta duração, considera-se que é crónica.
Na prática, no caso da hepatite aguda, o sistema imunitário consegue combater o vírus, erradicando-o do organismo, de modo que a recuperação se completa ao fim de alguns meses. Mas quando o vírus resiste, a infecção permanece, podendo conduzir a graves problemas hepáticos, nomeadamente cirrose e cancro do fígado.
Se for contraída na idade adulta o mais provável é que seja aguda. Mas se o contágio acontecer na infância, sobretudo até aos cinco anos, há maior risco de se tornar crónica.
Além de que pode permanecer por detectar durante anos e anos, manifestando-se apenas quando a pessoa já está seriamente doente.
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Este é, aliás, um dos principais problemas que se colocam em matéria de tratamento: é que a ausência de sintomas leva a um diagnóstico tardio, quando já há danos. Um diagnóstico que envolve a realização de testes sanguíneos, seguidos de exames mais específicos ao fígado que permitem avaliar a gravidade da infecção.
O tratamento implica a toma de medicamentos anti-virais, de que os interferões-alfa são uma alternativa recente: são substâncias que estimulam a resposta do sistema imunitário perante o VH B, ajudando a impedir a multiplicação do vírus. Quando o fígado já está seriamente danificado, um transplante pode ser a única solução.
Os mesmos caminhos da sida
A hepatite B é, no entanto, uma doença prevenível. E a prevenção passa pelos mesmos caminhos da prevenção da sida, até porque, além dos meios de contágio, partilham grupos de risco: ambas são mais frequentes entre quem tem sexo desprotegido (sem recurso a preservativo) e entre os consumidores de drogas injectáveis.
Também os profissionais de saúde correm algum risco, dada a possibilidade de se picarem acidentalmente com uma agulha utilizada no tratamento de um doente. O mesmo acontece, naturalmente, com os bebés nascidos de mães infectadas que não tenham recebido tratamento nem sido submetidas a uma cesariana.
Assim sendo, a prevenção passa pela adopção de comportamentos seguros, tanto pela parte de quem já está infectado, como por quem é saudável. E – esta é uma diferença essencial face à sida – passa também pela vacinação.
O sexo seguro deve ser uma prioridade e o preservativo um companheiro de todas as formas de contacto sexual. Ainda em nome da segurança é importante conhecer o estatuto do parceiro face à doença, tal como informá-lo se se está infectado: naturalmente que esta é uma atitude delicada, que pode gerar receios e desconfianças, mas pode ser meio caminho andado para prevenir a infecção.
O mesmo objectivo preventivo consegue-se não partilhando objectos que possam estar em contacto com os fluidos corporais, como as lâminas de barbear, escovas de dentes e, claro, agulhas (como as usadas para desenhar tatuagens) e seringas. Os consumidores de drogas injectáveis devem, assim, utilizar cada seringa apenas uma vez, podendo recorrer ao programa “Diz não a uma seringa em segunda mão” (mais conhecido como troca de seringas), disponível na esmagadora maioria das farmácias.

