Dossier Diabetes: Controle-a, sff!
Como se diagnostica a doença?
O diagnóstico passa essencialmente pela realização de testes sanguíneos, de modo a medir os níveis de açúcar no sangue – glicemia. Outros testes mais específicos permitem identificar qual o tipo de diabetes, a partir daí se definindo o tratamento.
Como se trata?
O objectivo do tratamento é manter a glicemia o mais próximo do normal possível e reduzir o risco das complicações associadas. O que passa por uma aliança entre a vigilância dos níveis de açúcar no sangue, uma alimentação saudável, actividade física regular, manutenção ou redução do peso, bem como por medidas farmacológicas.
No que respeita aos medicamentos, existem dois tipos: os antidiabéticos orais e a insulina. Os primeiros são utilizados apenas no tratamento da diabetes tipo 2, existindo várias alternativas que podem ser administradas isoladamente ou combinadas.
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Já a insulina constitui o único tratamento para a diabetes tipo 1 – dela depende mesmo a sobrevivência dos doentes -, mas é também utilizada no tipo 2, quando os medicamentos orais não conseguem controlar a glicemia.
Quais os valores de glicemia considerados normais?
Os valores podem oscilar em função de cada caso, mas, de uma forma geral, considera-se normal uma glicemia inferior a 110 mg de açúcar por decilitro de sangue se a medição for efectuada em jejum. Se for efectuada uma a duas horas após as refeições o limite é 145 mg/dl.
A diabetes tem cura?
A diabetes não tem cura. É uma doença crónica, o que significa que é para a vida. Contudo, pode – e deve – ser controlada, o que significa respeitar a terapêutica e realizar, com regularidade, o teste de glicemia de modo a verificar se os medicamentos estão ou não a fazer efeito.
Quais são as suas complicações?
Se não for tratada e controlada devidamente, a diabetes pode constituir uma séria ameaça para a vida. Algumas complicações são de curto prazo, mas requerem cuidados imediatos. É o que se verifica com a hipoglicemia: os níveis de açúcar no sangue baixam causando suores, tremores, fraqueza, tonturas e náuseas.
O contrário – níveis de açúcar elevados (hiperglicemia) dá origem a sintomas como vontade acrescida de urinar, sede extrema, boca seca, visão nublada e fadiga.
Outra complicação possível é a acumulação de acetona no sangue: trata-se de um ácido tóxico produzido pelo organismo quando começa a “atacar” a gordura armazenada para obter energia. Manifesta-se através sede execessiva, perda de apetite, náuseas, vómitos, dores abdominais e um hálito com odor doce e frutado.
A prazo são outros os riscos, envolvendo o coração e a rede de vasos sanguíneos, os nervos, os rins, os olhos, os pés, a pele e os ossos. No que respeita ao coração, podem surgir problemas cardiovasculares, nomeadamente doença arterial coronária (angina de peito), acidente vascular cerebral e aterosclerose.
Quanto aos nervos, as principais vítimas são os capilares que os irrigam, cujas paredes vão sendo destruídas pele circulação de sangue com açúcar a mais, acabando por causar lesão no nervo. Os efeitos começam por se notar nos dedos dos pés e das mãos, com formigueiro e dormência, sensação de queimadura e dor. Sem tratamento, o resultado da neuropatia – assim se chama esta condição – pode ser a perda de sensibilidade.

